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Espanha extradita ex-chefe da Inteligência venezuelana para os EUA

O ex-chefe de Inteligência Militar venezuelana, Hugo “Pollo” Carvajal, que foi muito próximo do presidente Hugo Chávez, saiu nesta quarta-feira (19) da Espanha extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de tráfico de drogas, informaram sua advogada e fontes judiciais.

“Sim”, respondeu sua advogada, María Dolores de Argüelles, quando questionada se Carvajal saiu do país rumo aos Estados Unidos. Fontes da Justiça espanhola também confirmaram a notícia.

Nenhuma das duas fontes pode confirmar com certeza para qual cidade foi transferido, mas Carvajal tem um caso aberto em Nova York.

A extradição aconteceu um dia depois de a Audiência Nacional espanhola ter ordenado “a entrega imediata de Hugo Armando Carvajal Barrios às autoridades dos Estados Unidos”, anunciou em comunicado.

A Audiência Nacional deu o sinal verde final depois que o Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) rejeitou o último recurso de Carvajal, conhecido em seu país como “El Pollo”, que pediu para evitar sua extradição, alegando que poderia ser condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos sem possibilidade de recurso.

O TEDH afirmou sua convicção de que Carvajal será “julgado em um sistema judicial que respeita o Estado de Direito e os princípios de um julgamento justo” e que terá “plena oportunidade de organizar sua defesa com a ajuda de um advogado”.

A transferência põe fim à longa batalha judicial que Carvajal travou para evitar ser entregue desde que foi preso na capital espanhola, em abril de 2019.

– Queda em desgraça e fuga –

Desde sua prisão em Madrid, em abril de 2019, Carvajal tentou inúmeros recursos e, inclusive, ficou foragido por mais de vinte meses desde que a Audiência Nacional inicialmente aprovou sua extradição em novembro daquele ano.

Em sua fuga, o general aposentado de 63 anos passou por cirurgias estéticas, usava bigodes e perucas postiças e mudava de endereço a cada três meses, segundo a polícia, que o prendeu novamente na capital espanhola em setembro de 2021.

Por muitos anos figura de peso no regime chavista até dar a volta por cima e ingressar na oposição ao presidente Nicolás Maduro em 2019, Carvajal é acusado pelos Estados Unidos de ter pertencido a um cartel junto com outras autoridades venezuelanas que traficavam drogas com a antiga guerrilha colombiana das Farc.

Um tribunal de Nova York o acusou, em 2011, de ter coordenado o envio de 5,6 toneladas de cocaína da Venezuela para o México em 2006, que posteriormente chegaram aos Estados Unidos, atos que podem levar à prisão perpétua.

Carvajal, que fugiu da Venezuela por mar depois de passar para a oposição de Nicolás Maduro, o herdeiro político de Chávez, em fevereiro de 2019, manteve-se ativo nas redes sociais até meses atrás, onde sempre negou essas acusações.

Em sua opinião, sua perseguição tem uma motivação política, já que outras pessoas antes dele foram levadas aos Estados Unidos “para apontar para membros do governo venezuelano em troca de benefícios processuais”, disse ele em carta pública em setembro de 2021.