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Fed pausa aumento dos juros mas sinaliza novas altas ainda em 2023

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve estável, nesta quarta-feira (14), sua taxa básica de juros, entre 5% e 5,25%, na primeira pausa em sua política de ajuste monetário desde março de 2022, embora preveja novas altas ainda em 2023.

Esta decisão unânime do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, sigla em inglês), órgão similar ao Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil, deve permitir aos tomadores de decisão “avaliar informação adicional e suas implicações para a política monetária”, informou o Fed em um comunicado.

Antes de decidir pausar as altas, o Fed aprovou dez aumentos consecutivos de sua taxa básica de juros. No entanto, quase todos os participantes da reunião de dois dias, finalizada nesta quarta, “consideram provável que sejam necessárias novas altas este ano para trazer a inflação para 2%”, meta da instituição, disse, em coletiva de imprensa, o presidente do banco central americano, Jerome Powell. Powell disse, ainda, que as novas altas serão adotadas em “um ritmo moderado”.

Um membro do FOMC espera, inclusive, taxas de 6% a 6,25% no fim do ano, e dois preveem juros estáveis no nível atual. Os dirigentes do Fed esperam que as taxas depois baixem entre 4,25% e 4,50% em 2024.

O Fed também elevou a 1% sua projeção de crescimento do PIB em 2023 frente a 0,4% em março, e revisou levemente para baixo, a 3,2%, sua previsão de inflação, frente à anterior, de 3,3%.

Após o anúncio do Fed de uma previsão de novas altas dos juros no futuro, Wall Street operou no vermelho.

“Esperamos que o Fed anuncie um novo aumento de 0,25 ponto percentual em julho”, indicou o economista do Bank of America Michael Gapen em nota aos clientes, acrescentando que um novo incremento de um quarto de ponto percentual pode ser necessário em setembro.

“Esperamos mais dois aumentos dos juros pelo Fed até setembro, antes de uma pausa total”, reforçou a economista-chefe da KPMG, Diane Swonk.

– Inflação moderada –

A inflação moderou-se fortemente em maio nos Estados Unidos, e alcançou um mínimo em mais de dois anos, segundo dados divulgados na terça, quando o Fed iniciou sua reunião de dois dias.

O índice de preços ao consumidor (IPC) subiu 4% em 12 meses frente a 4,9% em abril, segundo o IPC, publicado pelo Departamento do Trabalho.

Em junho de 2022, a inflação estava em 9,1%, um máximo em 40 anos. O nível de alta dos preços em maio de 2023 foi o menor desde março de 2021.

Nesta quarta, outro índice divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA, o PPI, que mede os preços no atacado, revelou uma queda maior do que a esperada em maio em relação a abril, sobretudo devido a uma diminuição nos preços dos bens.

O informe demonstrou que os preços de venda de bens manufaturados nos Estados Unidos e de serviços prestados por empresas americanas caíram 0,3% em maio, um sinal positivo adicional para o Federal Reserve.

– Meta: 2% –

O Fed tenta há mais de um ano conter a escalada dos preços nos EUA. Para isso, dispõe de uma ferramenta eficaz, mas de efeito retardado, que é a alta dos juros.

Este mecanismo encarece o crédito para o consumo e os investimentos, diminuindo, assim, a pressão sobre os preços na economia.

O Fed trabalha com uma meta de inflação de 2% ao ano, considerada saudável para a economia.