Angola
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Homenagem a “Mestre Kituxi” marcada pela sua ausência

O acto de homenagem, pelos seus feitos, ao músico e compositor “Mestre Kituxi”, realizado na noite de sábado, em Luanda, ficou marcado pela sua ausência, a última hora, por razões de saúde.

Apesar do anúncio da ausência do músico em palco apanhar de surpresa os presentes (fãs e contemporâneos), que estavam ávidos de artista, o programa da actividade foi cumprido na íntegra, como se o homenageado estivesse presente.

Entre os momentos que marcaram as homenagens, a nota de realce recaiu sobre as mais de 50 crianças e alunas da Fundação Arte e Cultura (FAC), que interpretaram as músicas de Kituxi na língua nacional Kimbundo, tocaram instrumentos musicais, dançaram, exibiram peça teatral e declamaram poesias, que retratam a vida e obra do músico.

Em relação à música e dança, as crianças subiram no palco para interpretar os títulos “Santa Maria”, “Ongo” e “Kyamukambe”, que ao som da guitarra, dikanza, do piano e do batuque, com coreografias típicas do Semba, levantaram aplausos de centenas de pessoas que lotaram o recinto da homenagem.

Para apimentar o “prato quente” à dimensão de uma noite em tempo de cacimbo, a homenagem ficou também marcada com actuação do grupo musical “Nguami Maka”, que interpretou os títulos “Manico” e “Minga Kabetula” de Mestre Kituxi, assim como exibiu outras músicas do seu repertório.

Num clima de demonstração e valorização da cultura angolana, quem também não hesitou em subir ao palco foi o convidado especial da gala de homenagem, o músico Vlademiro Gonga, que foi buscar no repertório de Kituxi o título famoso “Nguitambulé”, levando o público à vibração.

Nesse ambiente, muitas das pessoas da plateia foram obrigadas a levantar e afastar as cadeiras/bancos para participar da festa com um pé de dança e acompanhar a coreografia do palco, ou seja, enquanto uns vibravam em pé, os mais tímidos dançavam sentados, com o gingado do corpo.

Para além da música e dança, que serviu para viajar no tempo e recordar o passado de muitos “kotas”, as crianças da FAC também ofereceram ao músico um quadro com o seu retrato e uma cabaça feito com material reciclado, demonstrando a capacidade cultural e a veia artística dos mais pequenos.

Após várias manifestações de reconhecimento dos feitos de Kituxi, a cerimónia culminou com a subida ao palco dos grupos Nguami Maka, alunos da FAC e do convidado especial, que em uníssono cantaram a música Nguitambolé, demonstrando a essência do quanto vale a cultura angolana, numa miscelânea entre a actual e antiga geração.