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Líder catalão fugitivo detém chave para impasse eleitoral na Espanha

Um defensor da independência da Catalunha que está em fuga da justiça espanhola pode ser a chave para destravar um impasse político depois que a eleição nacional de domingo resultou em um Parlamento dividido.

O ex-chefe do governo regional catalão Carles Puigdemont, que vive em exílio autoimposto na Bélgica desde que liderou uma tentativa fracassada de separar a Catalunha da Espanha em 2017, de repente se vê com um imenso poder depois que nenhum bloco à esquerda ou à direita conquistou assentos suficientes para formar uma maioria parlamentar.

O Partido Popular (PP), de centro-direita, e o Vox, de extrema direita, conquistaram o maior número de assentos no Parlamento, com um total de 169 juntos – aquém dos 176 assentos necessários para uma maioria e abaixo das estimativas das pesquisas de opinião.

Os governistas do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e do Sumar, de extrema esquerda, conquistaram 153 assentos, mas possuem uma possibilidade maior de negociar o apoio de pequenos partidos separatistas bascos e catalães, como fizeram após as eleições de 2019.

Um caminho para a saída do entrave seria o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez conseguir votos favoráveis, ou pelo menos uma abstenção, do partido Juntos pela Catalunha, de Puigdemont, em uma votação sobre a formação de um governo em troca de mais concessões de independência.

Sánchez ainda pode obter o apoio do partido separatista Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), mas ele provavelmente também precisará do apoio dos Juntos, mais radicais, que não apoiaram Sánchez nos últimos quatro anos.

O secretário-geral do Juntos, Jordi Turull, disse nesta segunda-feira que usaria a “janela de oportunidade” criada pelo impasse eleitoral para alcançar a independência da Catalunha.

“O Estado sabe que, se quiser negociar connosco, há duas questões que são fundamentais e geram consenso na Catalunha, que são a anistia e a autodeterminação”, disse ele em entrevista à rádio local RAC 1.

Turull estava entre os nove líderes separatistas catalães presos perdoados por Sánchez em 2021 por seu papel na tentativa de independência de 2017. No entanto, muitos outros ainda estão enfrentando julgamento, principalmente Puigdemont.

Puigdemont, que ainda exerce influência considerável dentro do Juntos, disse em meados de julho que o partido não apoiaria Sánchez porque ele não era confiável. Na manhã desta segunda-feira, ele escreveu no Twitter que o Juntos é um partido que mantém sua palavra.

Os catalães devem jogar duro em qualquer negociação depois que a eleição revelou que uma reaproximação com Madri não funcionou a seu favor, disse Joan Esculies, escritor e analista de política catalã.

“O movimento de independência continua perdendo votos”, disse Esculies. “A única coisa que os mantêm nas manchetes agora é o fato de que a combinação de assentos significa que a decisão do Juntos e de Puigdemont… é a chave para a formação do governo.”

No entanto, após ganhar o maior número de assentos, o PP terá a primeira chance de tentar reunir votos suficientes no Parlamento para ganhar uma votação pela escolha de um primeiro-ministro. Mas sua aliança com o Vox, de extrema direita, e sua postura dura em relação ao separatismo dificultarão a obtenção de apoio de qualquer outro grupo.

A lei não estabelece um prazo para o processo, mas se nenhum candidato obtiver a maioria dentro de dois meses após a primeira votação para primeiro-ministro, novas eleições devem ser realizadas.