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Lula discursou na Assembleia da Républica no dia em que se comemora a Revolução dos Cravos – 25 de Abril

Até ao fim da sua visita à Portugal, não se sabia ao certo se o Presidente do Brasil Lula da Silva iria discursar na Assembleia da Républica no dia 25 de Abril, data da comemoração da Revolução dos Cravos em 1974. O Chega e a Iniciativa Liberal ameaçavam boicotar o evento. O Partido Socialista, que o convidara, temia que Lula repetisse a sua posição ambígua em relação a invasão da Rússia à Ucrânia.

No fim, Lula discursou na Assembleia da Républica. “Condenamos a violação da integridade territorial da Ucrânia.” A garantia foi deixada pelo presidente do Brasil, terminando a sua presença em Portugal com a afirmação de que o país está contra a guerra, depois de posições polémicas sobre a invasão russa.

Lula comparou o 25 de Abril com a luta ucraniana. Segundo ele, “a Revolução dos Cravos mostra que a política militar que enfrenta um povo em luta jamais poderá vencê-lo. Poderá, no máximo, prorrogar o conflito indefinidamente, e assim tornar mais custoso e inevitável o acerto de contas com a própria população”, lembrando o fim da ditadura em Portugal, que diz ter ajudado para o fim da ditadura no Brasil.

Lula da Silva também disse que o diálogo é a melhor forma de se chegar à paz, até porque “nenhuma solução de um conflito nacional ou internacional será duradoura senão for baseada no diálogo e na negociação política”.

Compreendendo as dificuldades que a guerra causa na Europa, e que se transportam para o resto do mundo – atingindo em especial os sectores alimentar e energético, Lula da Silva pediu uma ordem internacional baseada no respeito e na preservação da soberania, apelando ao fim do “sofrimento e perda de vidas”. Em paralelo, e olhando para o papel da Organização das Nações Unidas, Lula da Silva reiterou que a disposição do Conselho de Segurança deve mudar: mesmo que sem o dizer, sugeriu que o Brasil deve passar a ser membro permanente, até porque é importante ampliar a forma como as nações estão representadas.

No seu discurso na Assembleia da República, o presidente do Brasil afirmou que o 25 de Abril permitiu que “Portugal desse um verdadeiro passo para o futuro”, ao recuperar “as liberdades civis, a participação política dos cidadãos, a democratização política, os direitos trabalhistas e a livre organização sindical, criando as bases para o desenvolvimento económico com justiça social”.

Lula teve muitos aplausos da maioria dos deputados, principalmente do PS e do PSD. O Chega fez o que prometeu. Os deputados do Chega batiam nas mesas e empunhavam cartazes com as bandeiras da Ucrânia e onde se podia ler frases como “Chega de Corrupção”.

Chega manifesta na Assembleia da República

O Presidente da Assembleia da Républica enervou-se e chamou a atenção dos deputados portugueses liderados por André Ventura: “Os senhores deputados que se querem permanecer na sessão plenária devem comportar-se com urbanidade, cortesia e a educação que é exigida a qualquer representantes do povo de português. Chega de degradarem as instituições, chega de porem vergonha no nome de Portugal”.

À saída, Lula reagiu e mostrou-se irritado com a “cena ridícula”, e assim terminou a sua visita a Portugal.