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Reforçar África para resistir aos choques financeiros e construir economias resistentes ao clima, afirmam os líderes africanos nos Encontros Anuais do BAD

Os Encontros Anuais de 2023 do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento abriram oficialmente na terça-feira, com um apelo claro dos líderes africanos, juntamente com o Presidente do Banco, Dr. Akinwumi Adesina, para aumentar o financiamento para cumprir os objetivos urgentes de ação climática de África.

A 58.ª Reunião Anual do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento e a 49.ª Reunião do Conselho de Governadores do Fundo Africano de Desenvolvimento decorrem de 22 a 26 de maio na cidade costeira egípcia de Sharm El-Sheikh.

Na sua intervenção de boas-vindas, Adesina chamou a atenção para a grande lacuna de recursos para a ação climática. Afirmou que, embora as necessidades cumulativas de financiamento climático de África tenham sido estimadas em 2,7 trilhões de dólares entre 2020 e 2030, os recursos de financiamento climático só estão a chegar a África aos poucos. “África recebe apenas 3% do financiamento global para o clima, dos quais 14% provêm do setor privado, o valor mais baixo do mundo”, afirmou Adesina.

Os Encontros Anuais deste ano, subordinados ao tema “Mobilizar o Financiamento do Setor Privado para o Clima e o Crescimento Verde em África”, reúnem o Conselho de Governadores do Banco em representação dos seus 81 países acionistas, e parceiros de desenvolvimento, bem como representantes do setor privado e das organizações da sociedade civil.

No seu discurso, o Presidente egípcio, Abdel Fattah El-Sisi, país hospede do encontro, afirmou que os desafios complexos com que se deparam os países de todo o mundo, e especialmente os de África, exigem aquilo que descreveu como soluções criativas.

“Isto requer ideias não tradicionais para explorar opções de financiamento, para contribuir para impulsionar o ciclo de projetos muito necessários, particularmente nos domínios da resposta aos desafios das alterações climáticas e do desenvolvimento sustentável”, disse o Presidente El-Sisi.

O Presidente da União das Comores e Presidente da União Africana, Azali Assoumani, argumentou que o abrandamento das taxas de crescimento do PIB em África exigia “recursos significativos para os países mais expostos ao impacto das alterações climáticas”. No entanto, ainda existem “oportunidades para o crescimento económico verde, se envolvermos o nosso setor privado”, afirmou Assoumani.

Moussa Faki Mahamat, Presidente da Comissão da União Africana, manifestou o seu acordo com a escolha oportuna do tema dos Encontros Anuais. Sublinhou o impacto devastador das alterações climáticas em África, sob a forma de inundações e secas, que reduziram o crescimento do PIB do continente.

Adesina disse que o Banco Africano de Desenvolvimento tem demonstrado liderança com soluções inovadoras para os seus países membros. Citou o Programa Africano de Aceleração da Adaptação, que visa mobilizar 25 mil milhões de dólares para a adaptação climática, em parceria com o Centro Mundial para a Adaptação.

De acordo com Adesina, África está bem posicionada para atrair milhares de milhões de dólares em investimento privado para tornar os sistemas de transporte globais mais ecológicos, à medida que o mundo avança para a transição para veículos elétricos. “Isto porque África tem 80% dos depósitos mundiais de platina, 50% de cobalto, 40% de níquel e depósitos substanciais de lítio”, afirmou.

Adesina disse que África tem de se preparar para fabricar baterias de iões de lítio para entrar no mercado de mais de 388 mil milhões de dólares para veículos elétricos. “E por uma boa razão: o custo de estabelecer uma fábrica de precursores de iões de lítio em África é três vezes mais barato do que nos EUA ou na China”, afirmou.