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Relatório do mercado mundial de petróleo Maio 2023 – As sanções contra a Rússia são eficazes?

A Agência Internacional de Energia (IEA) publicou hoje o relatório do mercado de petróleo para maio de 2023. Os dados vão até o final de abril de 2023.

O aspecto mais marcante do relatório é o facto de a Rússia ter aparentemente conseguido contornar as sanções impostas pelos países ocidentais, no rescaldo da guerra na Ucrânia, ao redirecionar as suas exportações de petróleo para os mercados asiáticos, nomeadamente China e Índia.

Muitos analistas já consideram a reorientação do comércio exterior da Rússia em tão curto espaço de tempo como uma das maiores mudanças no comércio internacional de que há memória. Resta saber se isso irá reconfigurar permanentemente o comércio internacional ou se é apenas uma situação temporária.

Por outro lado, como já havíamos anunciado aqui, Angola tornou-se o maior produtor de petróleo da África em abril, superando a Nigéria. No entanto, Angola continua a ter dificuldades em atingir a meta de produção proposta, registando um défice de 400kb/d. Isso significa uma perda de quase US$ 1 bilhão por mês em relação à meta de produção aos preços atuais.

Segundo o relatório da IEA, os preços do petróleo recuaram durante abril e início de maio, apesar da OPEP+ ter anunciado em abril uma redução da produção a partir de maio 2023, uma vez que as preocupações com a situação da economia global e as perspectivas de demanda por petróleo deprimiram o sentimento do mercado.

Os preços foram pressionados para baixo pela atividade industrial fraca e taxas de juros mais altas, que, combinadas, levaram a cenários de recessão.

A demanda recorde na China, Índia e Oriente Médio no início do ano mais do que compensou a fraca atividade industrial e o uso de petróleo na OCDE. Este último responde por apenas 15% do crescimento este ano, sustentado pelos gastos do consumidor e pela mobilidade pessoal. No geral, a demanda mundial de petróleo está definida para uma média de 102 mb/d em 2023, 1,3 mb/d a mais que em 2019.

O fornecimento de petróleo russo continuou a se mostrar resiliente. Em abril, as exportações de petróleo da Rússia atingiram uma alta pós-invasão de 8,3 mb/d. Pelas estimativas da IEA, Moscovo não realizou totalmente o corte anunciado de 500 kb/d. De facto, a Rússia pode estar a aumentar os volumes para compensar a receita perdida. As receitas de exportação de petróleo do país aumentaram US$ 1,7 bilhão para US$ 15 bilhões no mês passado, mas foram 27% menores do que no ano anterior, enquanto as receitas fiscais do setor de petróleo e gás caíram 64% no ano.

A Rússia parece ter poucos problemas para encontrar compradores dispostos para o seu petróleo e derivados, frequentemente às custas de outros membros da Opep+ no mercado de dois níveis que surgiu desde que os embargos entraram em vigor.

A nova capacidade de refinação está impulsionando uma mudança contínua para os países asiáticos nas exportações de petróleo previstas para o restante do ano, refletindo a força da demanda da região, encabeçadas pela China e a India. Corridas recordes de refinarias com acesso a matéria-prima com desconto, juntamente com exportações sustentadas de produtos russos e demanda global fraca de diesel prejudicaram quebras de produtos, margens e prêmios de preço do petróleo. Há dados que indicam também que a India está a exportar derivados do petróleo russo para a União Europeia.

Com a oferta mundial de petróleo caindo ainda mais este mês, com a entrada em vigor dos novos cortes da OPEP+, os estoques globais de petróleo podem voltar a ficar sob pressão. A liberação de volumes recordes dos estoques dos governos da IEA no ano passado reduziu o déficit de estoque da indústria em relação à média de cinco anos para menos de 90 mb, comparando com mais de 300 mb no ano anterior. Neste cenário, a evolução dos preços do petróleo no segundo semestre de 2023 é incerta.

Por: José Correia Nunes
Director Executivo Portal de Angola