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Rússia mira vizinho Cazaquistão com anúncios de recrutamento militar

Anúncios oferecendo um pagamento imediato de mais de 5.000 dólares para ingressar no Exército russo começaram a aparecer nas telas dos internautas do Cazaquistão em meio ao crescente conflito na Ucrânia.

O Cazaquistão, uma ex-república soviética que faz fronteira com a Rússia, é o lar de mais de 3 milhões de russos étnicos e tem sido tradicionalmente um dos aliados mais próximos de Moscou. O governo de Astana, no entanto, não apoiou o que o lado russo chama de “operação militar especial” na Ucrânia e tem pedido paz.

Visando claramente os cazaques, os anúncios vistos pela Reuters apresentam bandeiras russas e cazaques e o slogan “Ombro a ombro”. Há a promessa de um pagamento único de 495.000 rublos russos (5.300 dólares) para aqueles que assinarem um contrato com os militares russos, juntamente com um salário mensal de pelo menos 190.000 rublos (2.000 dólares) e benefícios extras não revelados.

Os anúncios levam a um site que oferece aos recrutas em potencial a chance de ingressar no Exército russo na região de Sacalina, no extremo oriente da Rússia. O site lista seu proprietário como a Agência de Desenvolvimento de Capital Humano da região de Sacalina, uma organização criada pelo governo local.

Seus operadores de atendimento disseram que não podiam comentar sobre o posicionamento do anúncio, e a organização não respondeu às perguntas por e-mail. Juntar-se a conflitos militares no exterior por pagamento é ilegal sob a lei cazaque.

O Ministério da Informação e Desenvolvimento Social do Cazaquistão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os anúncios.

Moradores de outros países ex-soviéticos da Ásia Central disseram à Reuters que alguns de seus compatriotas se juntaram ao Exército russo ou a grupos mercenários privados russos, como Wagner, mas o recrutamento geralmente ocorre na Rússia, onde trabalham milhões de trabalhadores imigrantes do Uzbequistão, Tadjiquistão e Quirguistão.

“Um ex-marido da minha irmã morreu em Lysychansk em outubro passado”, disse um morador do Tadjiquistão à Reuters, falando sob condição de anonimato. “Um dos meus sobrinhos se juntou ao grupo Wagner após ficar em uma prisão russa.”

No Quirguistão, um homem local foi condenado a 10 anos de prisão em maio por se juntar às forças russas na região de Luhansk, na Ucrânia. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse nesta semana que está considerando um pedido de um político russo para conceder ao homem a cidadania russa para que Moscou possa pressionar Bishkek a libertá-lo e permitir que ele retorne ao país.