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Timor-Leste precisa de liderança competente para não ser “Estado falhado”

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje que o país precisa de lideranças competentes e corajosas para evitar que se torne um estado falhado, e, em vez disso, consolidar melhorias significativas da vida da população.

Um progresso, referiu num discurso por ocasião do 21.º aniversário da restauração da independência, que representaria a melhor forma de honrar os heróis nacionais que lutaram durante décadas pela independência de Timor-Leste.

“Progressos derivam de lideranças legítimas, competentes, corajosas, com visão e abertura ao mundo, com conhecimentos sólidos da economia, tudo enquadrado num plano estratégico de desenvolvimento moderadamente ambicioso, com políticas claras, que encorajam o investimento nacional e estrangeiro”, afirmou José Ramos-Horta.

José Ramos-Horta falava nas cerimónias oficiais no Palácio Presidencial, em Díli, na véspera das quintas eleições legislativas do país. Após apelar ao voto massivo, vincou os “grandes desafios, riscos, perigos”, mas também oportunidades para Timor-Leste.

“Líderes terão de saber identificar os grandes desafios, riscos e oportunidades. Líderes têm de saber definir as grandes prioridades nacionais, e permanecer focados”, afirmou.

Entre os desafios globais, Ramos-Horta destacou as questões que estão a ser levantadas sobre o futuro da ‘dolarização’ da economia mundial, aspecto que afectará Timor-Leste, onde o dólar americano é a moeda oficial, bem como outros países de economias emergentes.

Por isso, pediu que as decisões sejam feitas de forma ponderada, tendo em conta os constrangimentos orçamentais, e com um Governo de políticos e gestores escolhidos com base na sua competência técnica e profissional e no seu conhecimento.

“Os actuais recursos não renováveis vão ter de continuar a ser utilizados para financiar a nossa transição para a economia verde. Temos de acelerar a implementação do projecto Greater Sunrise, mas Greater Sunrise e outros não podem ser a ‘vaca leiteira’ para cobrir políticas irresponsáveis”, afirmou Ramos-Horta.

Neste quadro questionou, em particular, o futuro da democracia e das instituições democráticas, apontando o dedo a acções de “assalto ao Estado por falsos partidos políticos, infiltrados nas instituições” públicas.

Ramos-Horta definiu ainda o que considerou serem objectivos no topo da agenda nacional, com investimento adequado, liderança de qualidade e monitorização permanente.

Recordou os momentos emotivos de 20 de Maio de 2002, em que líderes de todo o mundo se juntaram na tribuna de honra com alguns dos principais dirigentes timorenses para ver nascer o mais jovem país do século 21.

“Depois de 500 anos de presenças estrangeiras, de dominação e sofrimento, e também de enriquecimento social, cultural e de formação da nossa nação. Sobrevivemos às tragédias, aprendemos com elas, tornámo-nos mais fortes”, disse.

O chefe de Estado recordou os líderes ainda vivos e os muitos que tombaram, no passado, nas lutas pela independência do país, desde Dom Boaventura, régulo de Manufahi, a Francisco Xavier do Amaral e Nicolau Lobato, vincando o papel histórico da Fretilin e o de Xanana Gusmão, que relançou a luta, e ainda o da Igreja Católica, “refúgio e esperança nos anos negros” da história do país.

Essa cerimónia de 2002, recordou, contrastou com a da proclamação da independência a 28 de Novembro de 1975, com a cidade de Díli de então, “esquecida pelo mundo, deserta, com a incerteza e o medo a pairar no ar”. JM