Angola
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Turistas deixam Moxico com nostalgia e rumam ao Lobito

Diversão, contactos com a cultura local e uma pousada inesquecível ao monstruoso Monumento à Paz, marcou o roteiro dos turistas nacionais e estrangeiros que escalaram a província do Moxico, a bordo de um comboio do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB).

Aproveitando o feriado prolongado da celebração do 23 de Março, Dia da África Austral, quase uma centena de turistas, nacionais e estrangeiros, pós-se no comboio Expresso do CFB e zarpou do Lobito (alberga a sede do CFB) ao Luau, município fronteiriço do Moxico, que “hospeda” a última estação dessa linha férrea transatlântica.

Na inédita viagem de promoção do turismo interno, os excursionistas, entre funcionários públicos, idosos e crianças, viajaram mais de 1.344 quilómetros da única linha férrea transcontinental.

Savanas, a imensa chana do leste, com o seu Parque de Reserva Natural, situado no município da Cameia, constaram dos pontos turísticos contemplados durante o trajecto Luena/Luau e vice-versa, sendo que a estadia de três horas no Luau, permitiu conhecer a sua beleza, uma miniatura arquitetónica do Luena, totalmente requalificada desde 2015, além das infra-estruturas sociais e económicas.

Nessa vertente, destaca-se o aeroporto local General Sapilinha Sambalanga, a Ponte sobre o rio Luau, que limita Angola da República Democrática do Congo (RDC), sendo esse o ponto de ligação entre o CFB e a Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro do Congo (SNCC), juntando, ainda, o espaço geográfico em que será erguida a Plataforma Logística e outros.

Já no Luena, os excursionistas visitaram o monstruoso Monumento à Paz, maior símbolo da paz em Angola, alcançada a 4 de Abril de 2002. Para muitos pela primeira vez, motivando a um “assalto” de sessão de registo fotográfico para recordações.

De regresso à terra natal, depois de 48 anos a viver no Lobito, Maria Cruz disse ser uma grande satisfação, prazer e emoção voltar à terra que a viu nascer (Luena). Gostou de ter visto uma cidade do Luena que mantém os traços históricos e arquitetónicos, o que lhe trouxe muita alegria, sobretudo o seu bairro, a Santa Rosa.

Apelou ao governo para incentivar o turismo interno, por ser uma forma de elevar o nome de Angola na região da SADC e de capitalizar a económica do país.

Já Margareth Lourenço, estudante, nessa sua primeira “expedição” ao lese de Angola, aonde nunca vinha desde que nasceu, há 25 anos, destacou a “maravilha sem preço da paisagem” e qualificou a viagem de “muito boa”.

“Viajar de comboio é uma experiência única e aconselho as pessoas a deixarem Luanda e fazer essa excursão. Eu estou dentro, quantas vezes forem possíveis, para cá voltar”, disse, entusiasmada, a jovem estudante de arquitectura, quando questionada se repetia a experiência.

Quem se sentiu, também, emocionada é a jornalista Maria Teixeira, do jornal O País, que aproveitou as férias para conhecer o Moxico, única província de que lhe faltava conhecer das 18 que constituem a imensa Angola.

“Sinto-me emocionada ver essa imagem do Monumento à Paz, com a pomba que representa a paz em Angola. Ver a cidade calma e reabilitada são benefícios da paz que devemos preservar e desfrutar”, reconheceu, antes de elogiar os promotores do evento pelo elevado grau de organização.

O general Matias Lima Coelho “Nzumbi”, antigo comandante da Região Militar Leste (RML) das Forças Armadas Angolanas (FAA), com sede na província do Moxico, também integrou a caravana dos turistas.

Autor do livro “O General de Todas as Frentes”, o general viveu momentos de pura nostalgia ao reencontrar-se com as terras por onde trabalhou durante 20 anos, até o alcance da paz, em 2002.

“Agora estou reformado e estamos desfrutar da paz que nós mesmo conquistamos. Recomendo ao governo que crie sistemas de comunicação fiáveis e vias de comunicação para atrair o turismo. Eu sei que o camarada Presidente (da República) fará isso e estamos com ele e todos nós o confiamos”, disse o general de Todas as Frentes.

Antes de regressarem ao Lobito, onde tem chegada prevista para à madrugada de segunda-feira, a equipa médica dos excursionistas promoveu uma campanha de rastreios de várias doenças negligenciadas à população do Luena.

O comboio transporta excursionistas angolanos, português, francês e caboverdiano, que pela primeira vez viajam no roteiro do Corredor do Lobito (Benguela, Huambo, Bié e Moxico).

Daquela cidade ferro-portuaria ao Luau (Moxico), o Caminho de Ferro de Benguela (CFB) conta com mil, 344 quilómetros de linha férrea e 67 estações, controladas pela sua Direcção de Exploração através de GPS.