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CPI: Wajngarten se contradiz, tergiversa e sai em defesa de governo

Jornal GGN – De forma inesperada, o ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom), Fábio Wajngarten, contrariou na CPI da Covid todas as declarações dadas em entrevista à Veja, em abril, quando tratou o governo de “incompetente” e “ineficiente” para a aquisição das vacinas, e saiu em defesa do governo Bolsonaro. Como resposta, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), decretou logo no início que o depoimento estava “prejudicado” e o relator Renan Calheiros (MDB-AL) o ameaçou de prisão, caso as mentiras forem confirmadas.

Ainda que de forma extensa, as quatro primeiras horas da sessão desta quarta-feira (12) indicaram contradições de Wajngarten, cuja participação na Comissão era aguardada pelas críticas denunciadas em reportagem do dia 22 de abril da revista Veja, no qual ele teria responsabilizado a “equipe que gerenciava o Ministério da Saúde”.

Diante dos senadores, contudo, o teor combativo ou crítico deu lugar a uma defesa do governo Bolsonaro. Tergiversando respostas, não respondendo objetivamente às perguntas, em uma mistura de auto-defesa, defesa da postura do presidente e omissão, em consecutivas respostas como “não participei”, “não existiu” e “não houve”, Wajngarten irritou os membros da comissão.

“O depoimento de Fábio está prejudicado”, afirmou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), passadas 3 horas de sessão, pelas declarações controversas do ex-chefe da Comunicação na CPI, em relação ao que foi divulgado na Veja.

Após Fabio Wajngarten afirmar que “não houve consultoria paralela” que se reunia com o presidente Jair Bolsonaro para recomedar medidas relacionadas ao manejo da pandemia, afirmar que “desconhece escritórios de advocacia” que tenham atuado na negociação com a Pfizer, contrariando as declarações à Veja, que tentou “ajudar nas negociações com a Pfizer” para a aquisição da vacina, e posteriormente que não se envolveu com essas negociações, os senadores reagiram:

“Vossa senhoria é a prova da existência dessa consultoria, é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República, se dizendo em nome do presidente, é a prova da existência disso”, disse Renan. “Vamos precisar solicitar a gravação da entrevista para a Veja, para verificarmos se ele mentiu ou não mentiu. Se ele mentiu, vou cobrar, na forma processual, eu vou requerer a prisão do depoente”, ameaçou o relator da CPI.

“Fábio, o senhor está aqui por causa da entrevista da revista Veja, a gente nem lembraria que o senhor existe se não fosse por isso”, direcionou Omar Aziz.

Logo após a discussão iniciada, os senadores decidiram dar uma pausa de 5 minutos. No retorno, Aziz esclareceu o tom que seria adotado a partir daquele momento: “Com todo o respeito que o senhor merece, se vossa Excelência não for objetivo nas suas respostas, nós iremos dispensá-lo desta Comissão, pediremos a revista Veja que mande a gravação e o chamaremos de novo, não como testemunha, mas como investigado.”

Sem responder diretamente como ex-chefe da pasta de Comunicação, Fabio também se esquivou quando questionado sobre as declarações polêmicas do presidente ao longo do ano, trazendo outras e diferentes interpretações a elas, como a declaração de que o mandatário não tomará a vacina. Para o ex-ministro, o presidente quis dizer que seria o último depois de todos os demais brasileiros a tomar o imunizante, tom diverso do adotado pelo mandatário à época.

Ministro do governo no mês de março, Wajngarten usou o seu período de licença médica, quando foi contagiado por Covid-19, em março do ano passado, para não responder diversas perguntas, afirmando que não sabia e não tinha conhecimento, por exemplo, sobre a campanha do governo “O Brasil não pode parar” e também sobre as tratativas do governo para implementar a cloroquina no Kit Covid.

Em seu questionamento, Tasso Jereissati (PSDB-CE) falou sobre a campanha “O Brasil não pode parar”, lançada em março de 2020, mesmo com a difusão proibida por determinação do ministro do STF, Luis Roberto Barroso, por contrariar diretrizes da OMS.

Fábio Wajngarten consultou um documento que trazia as campanhas feitas à época e leu, diante de todos os senadores, que “em março constava de uma campanha sobre protocolos e prevenções, de conscientização”, ao se referir a outra campanha de comunicação do governo, diversa da mencionada.

Perguntado novamente sobre o vídeo, que defendia o retorno das pessoas às ruas, o ex-ministro disse que “se recorda” de tal peça publicitária. “Eu não tenho certeza se tem autoria da Secom ou se circulou de foram orgânica. Lembrando que os 26 dias de março eu fiquei fora”, justificou.

Diante das contradições expostas, posteriormente, o senador Humberto Costa (PT-PE) teve que compartilhar o áudio, no meio da sessão no Senado, do vídeo da campanha. “Essa campanha tem autoria, ninguém teria feito uma campanha dessa sem que o presidente da República tivesse conhecimento e que vossa Senhoria também, como secretário de Comunicação. Essa é uma das questões graves.”

Sem responder diretamente, Wajngarten restringiu-se a afirmar: “Todo o fluxo de publicação das peças digitais seguiam um caminho e passavam pela aprovação do AGU responsável pelo atendimento da Secom, nenhuma peça, na minha gestão, era publicada sem autorização do AGU responsável”.

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