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Cresce pressão da Europa contra política que destrói florestas no Brasil

Embaixador da União Europeia no Brasil demonstra o profundo mal estar político que a destruição da Amazônia e do meio ambiente provoca na Europa

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Rede Brasil Atual - O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, reforçou enfaticamente nesta quinta-feira (17) o profundo mal estar político que a destruição da Amazônia e do meio ambiente no Brasil vem causando na Europa. “O processo de ratificação e assinatura do acordo (entre Mercosul e União Europeia) será político e haverá debate. O acordo tem um capítulo sobre comércio e desenvolvimento sustentável, com compromissos de ambas as partes sobre regras que promovem a sustentabilidade. O capítulo fala, por exemplo, sobre o compromisso de respeitar o Acordo de Paris sobre clima. Também sobre a proteção da biodiversidade”, disse ele ao jornal O Globo.

A omissão do governo Jair Bolsonaro frente ao desmatamento da Floresta Amazônica e ao incêndio no Pantanal ameaça fortemente a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE). A pressão das sociedades tem forçado líderes e políticos no Velho Mundo a refazer estratégias em seus posicionamentos nas relações internacionais e também internamente.

A menção ao Acordo de Paris por Ybáñez é significativa. No final de 2019, Bolsonaro não compareceu à Cúpula do Clima em Madri (COP 25) em reunião de chefes de Estado em Madrid para debater mudanças climáticas e justamente o Acordo de Paris. Recém-eleito em 2018, o presidente brasileiro cancelou a realização da importante reunião, que seria no Brasil. Representando o governo brasileiro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, voltou do evento dizendo que “a COP 25 não deu em nada”.

Para entrar em vigor, o acordo Mercosul-União Europeia precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países-membros. O texto ainda não foi sequer fechado. Só depois disso ele passará pelo crivo dos parlamentos.

Mobilização na Europa

“A declaração de Ybáñez não surpreende, porque o movimento tem sido feito desde o ano passado. Alguns parlamentos já estavam se manifestando no sentido de não aprovar esse acordo”, diz Elaini Silva, doutora em Direito Internacional pela USP e professora do mestrado Profissional em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais da PUC de São Paulo. Ela cita os parlamentos da Bélgica, Holanda e Áustria como alguns onde há mobilização de parlamentares pedindo a rejeição do tratado.

“As sociedades estão se mobilizando, tentando meios de conseguir de alguma forma controlar melhor a atuação de seus políticos. Na democracia, a ação dos políticos tem que refletir o interesse da sociedade”, afirma. Um dos interesses crescentes para as sociedades em todo o planeta é a questão ambiental.

Na Alemanha, em particular, os políticos sabem que o tema pode ser decisivo para suas pretensões nas eleições de 2021, quando o país escolherá um novo chanceler.

Segundo a edição brasileira no jornal alemão Deutsche Welle, para o governo da primeira-ministra Angela Merkel, “as taxas de desmatamento no Brasil são preocupantes, e as condições para melhorar os direitos territoriais e a proteção dos povos indígenas e grupos tradicionais vêm se deteriorando”.

Esse posicionamento é reflexo das pressões sobre parlamentares, que por sua vez pressionam o governo. Os deputados verdes são os mais fortes opositores do acordo na Alemanha exercem influência no continente.

Acordo Mercosul-UE: risco de fracasso

A destruição das florestas no Brasil é principalmente consequência dos interesses dos latifundiários e do agronegócio, representados por Ricardo Salles. Na reunião de 22 de abril, uma fala do ministro provocou escândalo e perplexidade mundial. Ele defendeu que, aproveitando a pandemia de covid-19, as políticas deveriam “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”. Segundo ele, “de IPHAN, de ministério da Agricultura, de ministério de Meio Ambiente, de ministério disso, de ministério daquilo”.

Para Elaini, nem mesmo em “interesses do Brasil” se pode falar, quando se pensa na possibilidade de o acordo UE-Mercosul fracassar ou mesmo na ameaça que a postura brasileira representa às exportações do país. A produção de soja e carne, por exemplo, são as duas culturas mais altamente destrutivas do meio ambiente, e portanto prejudiciais à toda sociedade. A floresta amazônica está caindo para dar lugar a pastos.

“Quando se fala que o Brasil exporta, é uma falácia. O governo brasileiro não exporta, o Brasil não exporta, o povo brasileiro não exporta. Quem exporta são empresas. Numa sociedade altamente desigual como a nossa, os benefícios da exportação não são igualmente distribuídos por todo o povo”, destaca Elaini Silva.

Enquanto as florestas queimam e caem, Bolsonaro mantém seu discurso de indiferença perversa e o atrelamento aos Estados Unidos de Donald Trump. Na quarta (16), ele afirmou, sobre a tragédia ambiental, que as críticas são “desproporcionais”. “Pega fogo, né? O índio taca fogo, o caboclo, tem a geração espontânea”, disse o presidente da República do Brasil.

Defund Bolsonaro

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