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Do PT do Rio em 98 ao PT de Pernambuco de hoje: uma história de intervenções desastradas

Uma rápida olhada para aquilo que aconteceu com o PT do Rio de Janeiro no pós-1998 e para o que vem acontecendo com o PT de Pernambuco nos últimos anos talvez seja de alguma valia na análise crítica das consequências desastradas decorrentes de intervenções verticalizadas, de estruturas nacionais sobre estruturas locais

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E já se vão longos vinte e dois anos de um dos maiores equívocos cometidos pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores nas suas relações com os inúmeros diretórios estaduais e municipais do partido, Brasil afora.

O ano era 1998 e o grande líder estudantil das passeatas de 1968 e deputado federal eleito em 1986 para a Assembleia Nacional Constituinte, Vladimir Palmeira, acabara de ser lançado pelo Diretório Estadual do Rio de Janeiro o candidato do partido a governador.

À época, o argumento utilizado pela Articulação de Lula e José Dirceu a fim de que fosse anulada a decisão do Diretório fluminense de lançar candidatura própria e não apoiar o nome de Anthony Garotinho (ele mesmo!) ao Palácio Guanabara foi o de que que os interesses regionais não poderiam se sobrepor à necessidade de construção de uma ampla aliança em torno da terceira candidatura de Lula à presidência da República.

Os resultados dessa “intervenção” são conhecidos por todos que possuem um pouco de memória histórica: em termos formais, o nome de Vladimir Palmeira foi rifado e, em seu lugar, formou-se a chapa, que viria a ser eleita, composta por Anthony Garotinho e Benedita da Silva, a qual acabaria por se tornar governadora no último ano de mandato em função da desincompatibilização do radialista neopentecostal para concorrer às eleições presidenciais em 2002.

Na sua substância, a “intervenção” do Diretório Nacional seria diretamente responsável por inviabilizar, no decorrer dos anos pós-Leonel Brizola, a afirmação do PT do Rio de Janeiro como força política alternativa do campo progressista a Rosinhas, Cabrais, Pezões, Witzels et caterva.

A lembrança desse episódio vem à tona no momento em que, pela segunda vez seguida, num intervalo de apenas dois anos, as instâncias decisórias nacionais do PT intervêm nas disputas travadas internamente no Partido dos Trabalhadores do estado Pernambuco – duas intervenções em apenas dois anos com duas orientações distintas entre si.

Em 2018, com o intuito de convencer o PSB a optar pela neutralidade na corrida presidencial, ao invés de apoiar a candidatura de Ciro Gomes, do PDT, a Executiva Nacional do PT enterrou a candidatura da vereadora do Recife, Marília Arraes, ao governo do Palácio das Princesas, decidindo pelo apoio à reeleição do governador socialista Paulo Câmara.

No dia seguinte à “intervenção” da EN, cerca de ¾ dos delegados presentes ao encontro de tática eleitoral do PT pernambucano manifestaram seu apoio à manutenção da candidatura da neta de Miguel Arraes ao governo do estado.

Há poucos dias, a história se repetiu, só que com o sinal trocado. O DN do PT manifestou-se de maneira favoravel à candidatura de Marilia Arraes à prefeitura da cidade do Recife após o Diretório Municipal do PT do Recife posicionar-se contrariamente a esta. A justificativa agora é a que que o partido precisa lançar o maior número possível de candidaturas próprias nas principais cidades do país.

Os anos se passam e reforçam em mim a constatação de que o PT enquanto instituição político-partidária com sede nacional em São Paulo (ao contrário de boa parte da sua base militante espalhada por todos os cantos do país) não consegue aprender com os equívocos cometidos ao longo da sua história.

Uma rápida olhada para aquilo que aconteceu com o PT do Rio de Janeiro no pós-1998 e para o que vem acontecendo com o PT de Pernambuco nos últimos anos talvez seja de alguma valia na análise crítica das consequências desastradas decorrentes de intervenções verticalizadas, de estruturas nacionais sobre estruturas locais, em partidos políticos com pretensões democráticas.

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