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Emater quer fomentar piscicultura do DF para o comércio

Tendo crescido nos últimos anos, a aquicultura do Distrito Federal apresenta grande potencial para os produtores locais. Com 45 mil toneladas de peixes, crustáceos e frutos marinhos por ano, o DF é, atualmente, o 3º maior consumidor do país, enquanto a produção local é de apenas 2 mil toneladas.

Em meio a esse panorama, o coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), Adalmyr Borges, contou, em entrevista ao CB.Agro — parceria entre Correio e TV Brasília — sobre os incentivos oferecidos pela autarquia aos aquicultores do DF, incluindo as novas tecnologias trazidas com a inauguração da nova unidade de experimentação, na última semana.

O cenário da piscicultura no DF, segundo explicou Adalmyr, é formado de pequenas propriedades que, em sua maioria, utilizam viveiros escavados em terra para a criação — sistema que acarreta em grande perda de água para o solo por absorção. São 750 produtores dos quais somente 100 realizam a comercialização da produção. Devido à discrepância entre a demanda e a produção, o objetivo da Emater-DF é auxiliar, com incentivos e tecnologias, que cada vez mais produtores adentrem esse comércio.

O coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF explicou, ainda, que a nova unidade de experimentação apresenta um leque de cinco novas tecnologias para a piscicultura do Distrito Federal, das quais detalhou três, ligadas principalmente à reutilização de água: o sistema de produção por recirculação de água (RAS), o sistema de produção por tanques circulares com bioflocos (BFT) e a Aquaponia.

“O que a gente espera, através dessa unidade de experimentação, é a validação de novas tecnologias que foram apresentadas, em um formato que seja acessível para o produtor local. E não só a capacitação dos produtores, dos aquicultores, mas também a capacitação dos técnicos que vão prestar assistência técnica para esses aquicultores”, adicionou.

Uso otimizado

O sistema RAS otimiza o uso da água, que passa por três filtragens e depois é oxigenada e bombeada de volta aos tanques, possibilitando uma produção até 30 vezes maior do que o atual sistema utilizado.

“Nesse sistema, a água que está nos tanques de produção passa por um sistema de filtragem. Primeiro uma filtragem mecânica, depois uma filtragem biológica, e depois uma filtragem com lâmpada ultravioleta. Então, ela é bombeada, oxigenada e retorna para os tanques de criação de peixes. Nessa água ela fica recirculando. É um sistema que otimiza o uso da água e a pequena perda que a gente tem é por evaporação e quando há a retirada dos resíduos sólidos. A grande vantagem nesses sistemas intensivos é que a gente consegue, mesmo com a economia de água, uma produção até 30 vezes maior do que em sistemas convencionais”, explicou.

De forma análoga, o sistema BFT também otimiza o uso da água, que fica em circulação dentro do tanque, e partículas de sujeira e resíduos se acumulam na superfície em forma de bioflocos, os quais são responsáveis pela filtragem da água. “A água fica circulando dentro do próprio tanque de criação de peixes e partículas, de restos de ração ou de excreção dos peixes que ficam em suspensão nessa água e são os chamados flocos. E bioflocos porque esses flocos começam a ter bactérias na superfície deles, que acabam servindo como o próprio filtro dessa água”, completou.

Adalmyr falou também do sistema de Aquaponia, que aproveita a água do sistema de bioflocos para a hidratação de plantas e vegetais. “Nós temos uma água que circula, também em circuito fechado, passando pelas raízes das plantas, e essa água é adicionada desses resíduos, de nutrientes que vêm dos peixes. A partir daí, passa por um processo de biodigestão, de mineralização, onde os nutrientes são reciclados e ficam disponíveis para as plantas. Então, junto com esses sistemas intensivos, a gente pode integrar um sistema de produção de vegetais. Folhosas e legumes vão muito bem nesse sistema”, destacou.

Redução de gastos

A Emater-DF tem, ainda, dois projetos para estimular os aquicultores do DF, o ProAqua e o Aqua+, que consistem em assistências técnicas continuadas e em tecnologias para a redução de recursos gastos na produção, respectivamente.

“O ProAqua é um projeto de assistência técnica especializada continuada. Nós selecionamos alguns produtores — geralmente que já estão no estágio mais avançado de produção — e eles recebem visitas mensais dos técnicos da Emater, que fazem todo o acompanhamento da produção, mas também acompanhando a comercialização. (...) E temos um outro projeto que é o Aqua+, que visa a produção de mais peixe com a utilização menor de recursos, que são essas tecnologias de utilização de aeração, de integração com plantas e vegetais, dando uso múltiplo a um reservatório de irrigação que pode ser utilizado também para a produção de peixes”, citou.

Linhas de crédito

O coordenador destacou a importância de se buscar a facilitação do acesso desses aquicultores a linhas de crédito, advindas também do Plano Safra.

“Antes do acesso ao crédito é necessário ter a outorga do uso da água, o produtor tem que ter regularizado o seu ponto de captação de água, e o outro ponto é o licenciamento ambiental. São os dois pré-requisitos para acesso ao crédito rural”, avisou. E emendou: “A gente tem até uma vantagem boa com relação às outras unidades da Federação, pois o processo de outorga de água é um processo acessível aos produtores no DF. No caso do licenciamento ambiental, no DF, nós temos uma legislação diferenciada, que é o processo de Declaração de Conformidade de Atividade de Agropecuária, a DCAA, que funciona como uma dispensa de licenciamento. Nesse caso, a própria Emater faz essa documentação, que vai para a Secretaria de Agricultura e o produtor já tem a regularização da sua atividade”, destacou.

O produtor interessado pode procurar um dos 15 escritórios da Emater espalhados pelo DF ou acessar o portal emater.df.gov.br para mais informações.

*Estagiário sob a supervisão de Andreia Castro

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