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Financiamento automotivo: confira como fazer uma boa escolha

Cerca de 10 anos atrás, o empresário Angelo Paz, 32 anos, comprou seu primeiro carro, um Renault Sandero 1.0, financiado em 60 meses com entrada de R$ 3 mil. A empolgação para o momento fez com que ele não pensasse em todos os custos que ia ter com o veículo. Um ano depois, ele deu entrada em uma ação revisional de juros para baixar a parcela paga pelo bem. Na hora de financiar um automóvel é melhor ter calma. O ideal é analisar todas as taxas e custos, assim, saber se os valores estão compatíveis com o orçamento para não se complicar no futuro e ter que acabar recorrendo à Justiça.

O gerente de F&I da Guebor Toyota, Ulisses Sena, pontua que muitos clientes se assustam o valor pago no financiamento após começar a arcar com as parcelas por não ler o documento com o Custo Efetivo Total (CET), que informa todas as despesas e taxas da transação.

“Muitos assinam o contrato sem ter lido o CET. Lá estão especificados todos os agregados do financiamento, como as taxas, assim é possível saber quando será pago ao final do financiamento”, explica Sena.

Dentre as taxas que incidem no valor do financiamento, estão o IOF, a taxa de juros, a taxa do Banco Central, o registro do contrato em cartório, e a cesta de serviços do banco.

A pedido do CORREIO, a Guebor Toyota fez uma simulação de financiamento em 36 parcelas de um Yaris XS Connect 1.5 flex 16V automático modelo 2021, no valor de R$ 83.147. Nesse caso, cada cota sairia por R$ 643,46, com uma entrada de R$ 48 mil e uma prestação residual de R$ 25 mil. A taxa de juros ao mês fica 0,98% ao mês.

Nesse modelo de financiamento, incidiria ainda um IOF de R$ 1.142,63, o registro de contrato por R$ 98,77 e a cesta de serviços de R$ 650, que inclui 1 confecção de cadastro, 2 tarifas de 2ª via de documentos e 2 tarifas de declarações diversas.

Economista Edval Landulfo ressalta importância de saber o valor final do financiamento antes de assinar o contrato (Foto: Clécio Max)

O Economista e Conselheiro do Corecon-Ba, Edval Landulfo, ressalta que muitas concessionárias fazem a negociação do financiamento em cima do valor da taxa de juros nominal e o cliente acaba não se atentando ao CET, que o especialista diz que também pode ser chamado de taxa de juros efetiva.

“O consumidor tem que perguntar pela taxa de juros efetiva porque outros custos e formatos de pagamento fazem diferença nos juros compostos. É importante saber quanto será pago de juros ao longo do período e o preço final do financiamento. Com esse aumento, o valor da parcela pode ficar acima do orçamento do consumidor para o financiamento”, explica o economista.

Para exemplificar a questão, Landulfo fez uma simulação da diferença entre o custo nominal e efetivo no financiamento de um Ford Ka, de R$ 45.990. Em um financiamento com um entrada de R$ 18 mil, o CET mensal ficaria 2,09% em um parcelamento em 24 vezes, enquanto os juros nominais seriam menores a 1,3% ao mês. Levando em conta um parcelamento em 60 meses, o CET mensal cai para 1,6%, mas o valor total seria de 156,31% do preço do carro. De acordo com ele, os dados usados para o cálculo foram coletados em setembro de 2020.

Sena aponta que é possível reduzir o valor da taxa de juros mensal ao agregar produtos e serviços no financiamento. De acordo com ele, existem casos em que o valor dos agregados é pago pelo montante de dinheiro economizado com a redução dos juros.

“A inserção de agregados aumenta o ticket médio de financiamento, o que permite uma taxa de juros melhor”, afirma o gerente de F&I da Guebor Toyota.

A Toyota possui o Ciclo Toyota, que, como ressalta Sena, tem juros baixos e garantia de recompra com garantia de, pelo menos, 80% do valor da Tabela FIPE. Nessa modalidade, é possível financiar o carro em até 48 meses pagando uma parcela residual máxima entre 50% e 30% a depender da quantidade de parcelas escolhidas. A entrada mínima é de 20% do valor do carro.

“Com a recompra pela Toyota, nem é preciso pagar a parcela residual já que a montadora paga este valor com o preço da compra do veículo. O que sobre pode ser usado de entrada para um novo Toyota”, explica o gerente.

Outros custos
Antes de comprar um carro financiado, Landulfo ressalta que não basta apenas analisar se as parcelas do financiamento cabem no bolso, mas entender que um veículo implica outros custos mensais, como com combustível.

“Ao comprar um automóvel melhor e mais caro, vai se gastar mais com IPVA e seguro. Tudo isso tem que ser levado em conta. Também é preciso reservar entre 5% e 10% do valor do carro por ano para quando for fazer a troca já que o veículo passa por uma depreciação”, alerta o economista.

Foi justamente o peso dos gastos mensais que fizeram Angelo ter que baixar o valor da parcela do seu carro na Justiça. Depois de um ano com o bem, os custos pesaram muito no orçamento dele, que, na época, tinha 21 anos. “Quando você pega o veículo, percebe que existem muitos custos envolvidos aí você acaba vivendo com um salário baixo para pagar o carro”, relembra o empresário.

Empolgação fez Angelo Paz não analisar se conseguiria manter o carro (Foto: Almiro Lopes/Arquivo Correio)

Uma dica de Landulfo para não comprometer tanto o orçamento mensal é contratar parcelas abaixo do limite que pode ser gasto com o pagamento do financiamento, mesmo que isso implique em um número maior de prestações. “Com a soma de todas as compras no cartão e os financiamentos não se deve ultrapassar 30% da renda líquida”, aconselha.

Para conseguir uma taxa de juros mais baixa, o gerente de F&I da Guebor Toyota recomenda dar a maior entrada possível no financiamento, o ideal seria já abater mais de 60% do valor neste pagamento. Ele ainda aconselha trocar de carro dentro da garantia para manter a valorização do bem.

Já o economista aponta que só é necessário comprar um carro novo quando o antigo não oferece as mesmas facilidades de antes ou traz muitos gastos com manutenção. “O ideal é ficar o máximo de tempo com o veículo. Quando o carro é vendido com 2 ou 3 anos, ele ainda tem muito preço para queimar. Antes de trocar, também é importante quitar o financiamento anterior e dar um espaço, como um ano, para fazer a nova compra. Também indico vender o carro a terceiros”, aponta Landulfo, que ressalta que a melhor opção sempre é juntar o dinheiro para fazer a compra à vista e obter descontos e adicionais.    

Ação revisional
Quando entrou com uma ação revisional de juros, Angelo conseguiu uma redução imediata de 40% no valor das mensalidades do financiamento do seu Sandero. Apesar do processo para conseguir a redução ter sido simples, ele conta que tudo foi muito oneroso psicologicamente no momento que ele teve que vender o bem.

“Minha dica é resolver tudo com antecedência. Eu estava na ansiedade de vender o carro, mas tive que quitar o veículo, então, acabei negociando com a financeira e usei o valor das parcelas do financiamento que eu tinha depositado em uma conta judicial desde a ação revisional para fazer isso”, conta o empresário.

Há 10 anos ocorreu um boom de ações revisionais de juros, relata a advogada Janaína Abreu. Na época, muitas pessoas ganharam processos do tipo de imediato sem maiores questionamentos, mas, atualmente, a ação tem que ser mais bem documentada para provar a atuação em má fé e os juros cobrados indevidamente. 

“A ação e revisão de juros visa combater cobranças de juros abusivos, o anatocismo [a capitalização de juros], cobrados por financeiras e bancos. Isso acontece muito no financiamento de veículos e em empréstimos”, descreve Janaína.

Para dar entrada na ação, a pessoa que recebeu o crédito precisa recorrer a um advogado e um contador. “O Banco Central regulamenta a taxa de juros nacional e alguns bancos operam com taxas acima dessa previsão. Em caso de juros muito altos, é preciso solicitar que um contador observe a diferença entre a taxa de juros que deveria ser cobrada e a que é cobrada. Se houver uma diferença alta entre esses valores, é possível entrar com a ação”, explica a advogada.

Em caso de ganho de causa, a empresa precisa ressarcir o consumidor com o valor cobrado a mais do que o correto. Para um financiamento em aberto, é possível fazer o reajuste da parcela com a devolução do montante pago a mais ou abater a quantia extra nos próximos meses. Em alguns casos, também é possível receber o dobro do valor pago indevidamente.

O diretor da concessionária Gallotti, que representa a Iveco na Bahia e em Pernambuco, Airton Vieira, alerta que os consumidores que os bancos colocam entraves para financiamentos futuros para clientes que entram com uma ação revisional contra alguma instituição financeira.

“O cliente fica marcado com os bancos e se quiser voltar a comprar é mais complicado ter aprovação ou taxa de financiamento que seja competitiva. Acho importante buscar uma solução negociando com os bancos antes de procurar a Justiça. Tem departamentos no banco que buscam a solução”, afirma Vieira. De acordo com ele, o número de ações revisionais cresce em um momento de crise no mercado.

A advogada ressalta que não é preciso se preocupar com a retaliação dos bancos pois uma resposta deste tipo é errada, portanto, é possível entrar com outro processo em casos como esse. Janaína ainda afirma que no judiciário baiano é complicado para o banco saber quem move ações contra ele.

Dicas

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lobo

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