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Gurus brasileiros?

Ouvimos frequentemente falar dos gurus, os líderes espirituais relacionados com a cultura oriental. O termo guru é de origem sânscrita, uma língua antiga da Índia, e é usado para referir-se a Mestres competentes em transmitir conhecimentos relacionados aos textos sagrados e orientar seus discípulos no caminho espiritual. Os gurus na Índia fazem parte de uma cultura milenar que os considera seres que alcançaram a emancipação espiritual pelo fato de terem obtido, por meio da experiência prática, a capacidade de transcender as dificuldades mundanas e viver num estado próprio de consciência, no qual não existem perturbações que possam lhes afligir.

Como isso faz parte do costume indiano, é natural que desde cedo as crianças ouçam falar sobre os gurus, visitem lugares onde possam encontrá-los, e também aprendam como devem se comportar na presença desses líderes. Para ilustrar, na Índia não é habitual que um discípulo toque um guru senão nos seus pés e somente quando isso for permitido. Muitos desses gurus foram preparados desde os primeiros anos de suas vidas para esse papel, o que é muitas vezes difícil para compreensão do ocidental.

Em meados do século 20, muitos gurus começam a sair da Índia e passam a visitar outros países, com o objetivo de levar o conhecimento espiritual indiano para os quatro cantos do mundo. Foi o caso de muitos gurus conhecidos aqui no Brasil, como os Swamis Vivekananda, Yogananda, Sivananda, entre outros.

Em virtude da aproximação entre culturas, um fenômeno jamais visto passa a acontecer, isto é, pessoas de outras nacionalidades passam a se colocar e serem consideradas gurus. Hoje existem gurus brasileiros, americanos, neozelandêses, jamaicanos, entre outros. É interessante ressaltar que muitos deles não viveram tempo suficiente em solo indiano para entender o valor desse papel dentro dessa cultura. Em decorrência da grande divulgação de alguns dos gurus desde a década de 1970, quando os Beatles seguiam as orientações do Mestre da Meditação Transcendental Maharish Mahesh, popularizou-se no Ocidente a “busca pelo guru”. Muitas pessoas tentaram fazer isso viajando para Índia, buscando encontrar um orientador, e outras tentaram encontrá-lo aqui mesmo no Brasil. Desde então, polêmicas relacionadas com os gurus só têm crescido, como mostra a História recente, a qual não tem tido finais felizes. Vale a pena assistir filmes como Kumaré, Wild Wild Country e Holly Hell, que mostram muito bem as nuances desse fenômeno.

Ou seja, de um lado, existem pessoas buscando seres humanos que possam lhes orientar de forma infalível, como se fossem aconselhadores divinos; de outro, há pessoas que não têm condições reais de realizar esse papel pelo distanciamento cultural. O fato de aceitarem essa titulação já revela pouca profundidade na cultura que deu origem ao conceito. O resultado tem mostrado relações abusivas em todos os aspectos possíveis, como exploração financeira, assédio moral, abuso sexual e traumas psicológicos, por exemplo. É importante ressaltar que, na sociedade ocidental, há pessoas que são muito importantes nas nossas vidas, como médicos, professores e psicólogos, e nem por isso estabelece-se esse tipo de relação pautada na “divinização do outro”.

Dessa forma, é crucial que aqueles que desejem “ter um Mestre ou um guru” reflitam realmente sobre a necessidade dessa relação, especialmente considerando o contexto da cultura brasileira, a qual jamais contou com esse personagem. É importante também registrar que os gurus indianos tradicionais eram sempre homens dedicados exclusivamente ao serviço de transmissão do conhecimento espiritual e nunca cobravam pelos serviços, o que é muito diferente do que se encontra atualmente na internet, em que são divulgadas promessas de iluminação por meio de aulas online pagas ou de aplicativos. Os verdadeiros gurus indianos fazem votos de castidade, então é preciso estar atento caso exista algum tipo de proposta relacionada a sexualidade A informação e senso crítico parecem ainda ser os melhores caminhos.

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