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Infectologista dá dicas de como votar com segurança no dia da eleição

Ainda que ‘nenhum protocolo no mundo consiga garantir em absoluto a não infecção pelo coronavírus’, o médico Gerson Salvador passou ao Brasil 247 uma série de recomendações que podem diminuir o risco de eleitores e mesários durante a votação

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Por Guilherme Levorato, 247 - A eleição de 2020 para prefeitos e vereadores será muito diferente das que o brasileiro está acostumado. Isto porque a pandemia de Covid-19 impõe uma série de recomendações e restrições para tentar diminuir os riscos a eleitores e mesários. A data do pleito foi alterada neste ano e a votação acontecerá nos dias 15 e 29 de novembro. Os horários também foram mudados, de forma que o eleitor poderá comparecer às urnas entre 7h e 17h. Diante de tantas mudanças, o Brasil 247 conversou com o médico infectologista Gerson Salvador para coletar dicas de como os cidadãos podem se proteger melhor na hora da votação.

O especialista alerta, porém, que o protocolo de segurança recomendado pelo TSE, assim como todos os outros do mundo, não é capaz de garantir 100% que eleitores e mesários não sejam infectados. “Eu não conheço nenhum protocolo no mundo que consiga garantir em absoluto a não infecção. Então a máscara, a distância, a higiene das mãos e a etiqueta respiratória podem diminuir um tanto esse risco”.

Confira as dicas:

Leia a íntegra da entrevista com o infectologista Gerson Salvador:

247 - De pronto, gostaria de saber: é seguro, mesmo com protocolos, realizar eleições no momento atual?

Gerson Salvador - A gente está em um momento de diminuição de casos no Brasil, mas ainda sim nosso número de casos e número de mortes é expressivo se comparado a outros lugares do mundo. Nós ainda somos o terceiro País em número de casos e o segundo em número de mortos no mundo, e o número de casos e de mortos que a gente tem atualmente, mesmo em declínio, ainda são altos se comparados a outras regiões do mundo. Posto isso, sempre quando a gente sai de uma condição de distanciamento, há algum risco de contrair o coronavírus, e este risco será maior quanto mais contatos a gente tiver e quanto menos atenção houver em relação à segurança.

O que funciona e o que não funciona, se vai abrir o comércio, se vai abrir parque, se vai abrir escola, se vai haver eleição, isso deve ser motivo de impacto no conjunto da sociedade civil com os governos ouvindo a sociedade, ouvindo as autoridades científicas e propondo pactos. Há um problema, além da pandemia, que o próprio governo brasileiro não tem sido capaz ou não está interessado em construir esses pactos, então os caminhos que a gente vai levar depende de pactos dentro da sociedade que minimizem isso, mas não tem havido esse espaço de diálogo e não parece ser a intenção do governo.

O adiamento em pouco mais de um mês beneficia os eleitores no que se refere ao risco de transmissão da Covid-19? Ou seja, adiantou alguma coisa mudar a data da eleição?

Hoje a situação do Brasil em relação ao número de casos e em relação ao número de óbitos é algo mais confortável do que há um mês. Então tanto será maior a chance de contrair a infecção com quantas mais pessoas infectadas você tiver contato. Se a gente estiver em um momento de maior controle em relação à transmissão da infecção, com certeza será menor. Se a gente seguir nessa tendência de diminuição de casos de Covid-19, se a eleição fosse feita em momento posterior, provavelmente seria menor também.

De acordo com o TSE, a distância de um metro entre as pessoas nas zonas eleitorais deverá ser mantida. Essa distância é suficiente?

A gente tem autoridades que falam em um metro, um metro e meio e até dois metros. Quanto maior a distância, menor é a chance de infecção.

O TSE diz ainda que mesários deverão trocar as máscaras de proteção a cada quatro horas. Por que a troca de máscaras é importante? Eleitores também precisariam trocar as máscaras?

A máscara deve ser usada enquanto ela estiver íntegra e não estiver úmida. Partindo do pressuposto de que os mesários estarão conversando, interagindo com os eleitores, muito provavelmente eles terão que trocar a máscara algumas vezes durante o expediente. Quatro horas é um tempo de referência. Se a máscara estiver molhada ou em más condições, ela deve ser trocada antes.

Os mesários podem pedir para que o eleitor tire a máscara por alguns instantes para que possa ser feita a identificação do cidadão. Este procedimento é seguro?

Ninguém deve sair da sua casa para lugar algum sem usar máscara. No momento em que se tira a máscara você abdica de alguma segurança, mas é importante que as pessoas neste momento em que estão com a face exposta, de preferência, não falem e mantenham a distância segura das outras pessoas. Se precisar tirar a máscara por um instante, é melhor não falar e manter uma distância segura das pessoas.

O protocolo recomenda ainda que eleitores e mesários que estiverem com sintomas da Covid-19 não compareçam ao local de votação. Se um eleitor estiver com Covid-19 sem saber, estando assintomático, ele poderá transmitir às outras pessoas, não? O protocolo do TSE é capaz de impedir isso?

Nem o protocolo do TSE e nenhum protocolo do mundo vai conseguir garantir completa segurança em relação aos assintomáticos. A gente sabe que nas 48 horas que antecedem o início dos sintomas já pode haver transmissão e que mesmo pessoas assintomáticas podem transmitir Covid-19. Eu não conheço nenhum protocolo no mundo que consiga garantir em absoluto a não infecção. Então a máscara, a distância, a higiene das mãos e a etiqueta respiratória podem diminuir um tanto esse risco.

Como você avalia a ampliação do prazo para votação em uma hora? Vai fazer diferença? É suficiente?

Provavelmente sim, provavelmente quanto menor a densidade de pessoas, menor a chance de transmissão da doença infecciosa. Quando as pessoas saem de casa para uma atividade qualquer, de alguma maneira elas estão abrindo mão de absoluta segurança.

O horário das 7h às 10h será preferencialmente para idosos. Aglomerar os idosos neste curto espaço de tempo é a melhor saída? Não se torna um risco?

É razoável ter um horário preferencial paras as pessoas mais velhas. Quando eu afirmo qualquer coisa na ciência eu tenho que pensar em um cenário testado, ou pelo menos que tenha hipóteses já levantadas. Essa situação que está dada em relação a eleição não é uma situação que a gente tenha um parâmetro de comparação, então eu acho que é razoável ter um horário específico para os idosos, mantidas a distância, a higiene das mãos, etiqueta respiratória, enfim.

Para quem pode ser facultativo o voto, notadamente pessoas que tenham doenças e condições associadas ou que tenha maior risco por conta de doenças cardíacas, respiratórias ou de imunodepressão grave, elas também podem optar por não comparecerem à votação.

Qual etapa do momento da votação é mais perigosa?

O pior momento é quando tem contato interpessoal, então se as pessoas estiverem conversando a uma distância curta ou eventualmente se houver o compartilhamento de algum objeto e se não houver a higiene das mãos. Mas é no contato, no momento em que as pessoas estejam interagindo, notadamente incluindo distâncias menores e se não estiverem usando as máscaras.

Além do que prevê o protocolo do TSE, o senhor tem mais alguma recomendação a fazer aos eleitores?

A recomendação geral é ficar em casa ainda, mesmo neste momento, o tanto que for possível. Se precisar se deslocar, fazê-lo o máximo possível a pé. Quem tiver veículo próprio, prefira o veículo próprio para o deslocamento ao local de votação. Se for possível, se puder se deslocar de táxi ou por um carro de aplicativo devidamente ventilado, o risco é menor. Atenção à higiene das mãos, atenção ao distanciamento e evite ficar a uma distância muito curta e tocar nas superfícies, nos olhos, no nariz e na boca.

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