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"Modelo dos Correios não funciona", diz ex-presidente da estatal

Guilherme Campos, ex-presidente dos Correios - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 10/11/16)

Guilherme Campos, ex-presidente dos Correios - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil - 10/11/16)

Os Correios estão no centro do debate público sobre a privatização. O ministro Paulo Guedes já declarou, em diversas ocasiões, ter a venda da estatal como prioridade na agenda do governo. O valor estimado com a venda, segundo o ministro das Comunicações Fábio Faria, seria de R$ 15 bilhões. Há quem defenda a privatização como única maneira para melhorar os serviços prestados pela companhia. Mas o ex-presidente da empresa, Guilherme Campos (PSD-SP), enxerga alternativas.

"Os Correios são uma empresa fantástica, com condições de ser perenizada ao longo do tempo. Mas no mundo de hoje, o modelo dos Correios não funciona mais, tem que mudar. Quando cheguei à empresa, a situação era de colapso. Não tinha a menor chance de sobreviver naquelas condições", relembrou, em uma live promovida junto à Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap) nesta sexta-feira (23). Em 2016, quando Guilherme foi nomeado por Michel Temer como presidente da estatal, os Correios fecharam o ano com prejuízo de R$ 2 bilhões.

Campos ressaltou que, apesar de ter o monopólio postal, o uso de cartas tem caído nos últimos anos. Ele afirma que falta vontade por parte da diretoria no sentido de buscar novos mercados e investir em serviços para enfrentar a concorrência no ramo das entregas.

"(A empresa) tem a oportunidade substituir sua atividade postal por atividade das encomendas alavancada no novo mundo do comércio eletrônico, onde há clara oportunidade de ocupar o espaço. Mas eu não sinto essa vontade em partir para o mercado, em querer estar presente. [...] sinto a empresa perdendo espaço, mercado, a cada dia", revelou.

Para ele, ainda há na estatal um receio ou uma visão de que não se deve buscar novas oportunidades no mercado. "Existe um saudosismo e um querer continuar com o mundo postal. Mas isso é algo que vai acabar. Estamos discutindo o monopólio e é questão de tempo. O monopólio não sustenta os Correios e nenhuma empresa no Brasil hoje. Mas a presença nacional, todos os ativos ao longos de quase quatro séculos valem muito. Como vai ser valorizado isso, depende do modelo de privatização que vai ser colocado ao mercado".

Ele comentou também que a participação da área postal nos lucros da empresa ainda (cerca de 34%) é grande se comparada a outros países. "No mundo inteiro, essa participação do postal é de menos de 10%. O que tá acontecendo é que os Correios não estão atacando o mercado de encomendas, ele tá sendo comido e atacado de todos os lados", afirmou Campos.

Para ele, a melhoria da eficiência não depende somente da privatização, mas a participação do setor privado nas operações da empresa, mesmo que por meio de parcerias, é importante. "Eu defendo um processo de mudança do modelo atual dos Correios para um modelo mais eficiente. Esse processo de mudança foi posto em prática por nós em algumas áreas e colocado no planejamento estratégico. Seria por meio de parcerias com a iniciativa privada em diversas atividades que os Correios atuam. Dá pra fazer essa transição do modo monopólio postal para o modo concorrencial para o modo encomendas, principalmente ao longo do tempo", disse.

Investir em competitividade, para o ex-presidente, é a chave para retomar espaço no mercado e recuperar a confiança dos clientes. "É preciso colocar a empresa para atuar de forma competitiva. Do jeito que está, olhando para o próprio umbigo, sem pensar em parcerias, não vai a lugar algum. A cada dia que passa, perde valor de mercado e participação", disparou.

Privatização

Apesar das discussões calorosas que têm ocorrido no cenário político, a privatização não deve ocorrer antes de 2022. Foi o que informou o ministro das Comunicações, Fábio Faria, ao entregar o projeto para análise no Palácio do Planalto, no último dia 14. Na avaliação do político, o Congresso só deverá votar a matéria no fim de 2021.

Os detalhes da proposta não foram divulgados. Os documentos, que estão no Palácio do Planalto e deverão passar pela Casa Civil, já contam a assinatura do Ministro da Economia, Paulo Guedes, além do aval do próprio Ministério das Comunicações.

*Estagiário sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza

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