Opas adverte que a covid-19 está ‘longe’ de estar sob controle nas Américas

No Brasil cresceu a prevalência de pacientes jovens sem comorbidades com quadros muito graves, situação que se torna frequente em quase todas as unidades de terapia intensiva do país - AFP/Arquivos


A pandemia da covid-19 está “longe” de estar sob controle nas Américas, apesar da redução de casos nos Estados Unidos e no Brasil, os países do mundo com o maior número de fatalidades pelo vírus, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta quarta-feira (12).

“Quase 40% de todas as mortes globais (por coronavírus) relatadas na semana passada ocorreram aqui nas Américas”, disse a diretora da Opas, Carissa Etienne, em uma coletiva de imprensa.

“Este é um sinal claro de que a transmissão está longe de ser controlada em nossa região”.

Etienne observou uma aceleração das infecções em grande parte do continente e uma ocupação dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de quase 80%.

Na América do Sul, duramente atingida pela pandemia nos últimos meses, aumentaram os casos na Guiana e na Bolívia, na fronteira com o Brasil, assim como na Colômbia, abalada atualmente por massivas manifestações antigovernamentais.

“Na Colômbia, onde os casos de covid-19 têm aumentado continuamente por várias semanas, esperamos aumentos ainda mais pronunciados após uma semana de protestos”, advertiu Etienne.

Ela afirmou que no Chile e no Peru, 95% dos leitos de UTI estão em uso, a maioria por pacientes com covid-19, e descreveu um panorama preocupante em Buenos Aires, com 96% de ocupação, e em algumas áreas do Brasil, onde há uma lista de espera.

Ela também observou altas taxas de infecção no Canadá, particularmente em áreas com populações indígenas, e disse que Cuba “continua a impulsionar a maioria das novas infecções no Caribe”.

Na América Central, observou aumentos nos casos nas áreas de Costa Rica e Honduras que fazem fronteira com a Nicarágua e nas regiões fronteiriças da Guatemala e El Salvador.

“Não é surpreendente que o aumento das hospitalizações em nossa região esteja provocando um desafio sem precedentes no suprimento de oxigênio em todo o continente americano”, disse Etienne, apontando para a Bolívia e Antígua e Barbuda como “locais altamente afetados”.

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