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Quase 60% são contrários à privatização da Caixa, aponta pesquisa CNT

Levantamento mostra que 59,8% dos entrevistados rejeitam venda do banco público. Caixa Econômica Federal lidera relação de empresas que sociedade menos quer que seja vendida

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Quase 60% dos brasileiros ouvidos em uma nova pesquisa de opinião pública são contrários à privatização da Caixa Econômica Federal e de outras estatais: chega a 59,8% o índice de cidadãos que rejeitam a venda do banco para a iniciativa privada. A Caixa também lidera a relação de empresas públicas que a sociedade menos quer ver privatizada, conforme apontam 30,1% dos entrevistados.

Estes são os principais resultados do levantamento feito pelo Instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). De acordo com os dados, divulgados esta semana, apenas 28,6% das pessoas disseram ser a favor da privatização de estatais; 11,6% não souberam opinar ou não responderam. A pesquisa CNT/MDA foi realizada com 2.002 entrevistados, em 137 cidades de 25 estados, entre os dias 18 e 20 deste mês.

“Levantamentos como este são importantes para reafirmarmos o posicionamento em defesa da Caixa 100% pública e do papel essencial que os bancos públicos desempenham para o desenvolvimento econômico e social do país”, afirma o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto. Ele reitera que, no caso da Caixa, o propósito do governo Bolsonaro é fatiar e privatizar a instituição por meio da venda de subsidiárias, até que a empresa deixe de ser rentável, competitiva e a serviço da população.

O LEVANTAMENTO — Os entrevistados da pesquisa CNT/MDA também foram ouvidos sobre a venda de estatais como o Banco do Brasil, a Petrobras, a Eletrobras, a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) e a Casa da Moeda. Eles se posicionaram resistentes a qualquer proposta de privatização, com exceção dos Correios.

Em relação à Petrobras, houve empate técnico. De um modo geral, o resultado do levantamento mostrou que quanto mais as pessoas têm a empresa pública como parte do dia a dia, menos elas defendem a privatização.

O presidente da Fenae observa que a crise sanitária em virtude da pandemia do coronavírus, aliada aos gargalos econômicos e sociais enfrentados pela população, tem mostrado — inclusive para os que defendem o Estado mínimo e as políticas de privatização — a importância do setor público para o país. Ele cita como exemplos o Sistema Único de Saúde (SUS) e bancos públicos como a Caixa, que fazem parte da história e do cotidiano do cidadão brasileiro.

“A sociedade deve continuar defendendo as empresas públicas e colocando-se contrária à entrega do patrimônio nacional ao capital privado, que não leva em conta o legado social, mas apenas o lucro”, destaca Sergio Takemoto.

OUTRAS PESQUISAS — No início deste mês, outra pesquisa de opinião reforçou que a privatização da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e da Petrobras encontra resistência entre os brasileiros. De acordo com o levantamento realizado pelo movimento liberal Livres — que encomendou o estudo ao Instituto Ideia Big Data — a venda de estatais deve ser avaliada caso a caso. Para 45% dos entrevistados, a privatização deveria depender do setor e considerar também se a empresa em análise fecha as contas no azul ou no vermelho.

Apenas 19% das pessoas ouvidas foram favoráveis à privatização de qualquer estatal, independentemente das condições delas. Já o total de entrevistados contrários à venda das empresas chegou a 21% — um porcentual, portanto, maior do que os que são favoráveis à privatização geral.

Um grupo de 15% não soube responder ao levantamento encomendado pelo Livres, que se define como uma associação civil sem fins lucrativos que atua como um movimento político suprapartidário em defesa de bandeiras do liberalismo. A pesquisa entrevistou 1.688 pessoas entre os dias 6 e 11 de janeiro.

“Mais do que em nenhum outro momento, a conjuntura e a relevância da Caixa Econômica para o país comprovam que o caminho não é vender este patrimônio. Ao contrário. É preciso fortalecer a estatal e melhorar ainda mais o suporte à sociedade”, reforça Sergio Takemoto.

No último mês de setembro, pesquisa realizada pela revista Exame apontou que 49% dos entrevistados disseram ser contra a privatização da Caixa, enquanto 22% se declararam a favor, 19% ficaram neutros e 9% não souberam opinar.

Em outro levantamento, desta vez realizado pela revista Fórum entre os dias 14 e 17 de julho, 60,6% dos participantes se posicionaram contrários à privatização do banco público. A empresa que teve a maior rejeição social à privatização foi a Caixa Econômica Federal.

Em agosto de 2019, quando o governo Bolsonaro divulgou a lista de estatais que poderiam ser privatizadas nos próximos anos, o Datafolha apontou que 67% dos entrevistados eram contra a venda dessas empresas.

“NÃO DEIXEM VENDER O BRASIL” — Confirmando a agenda privatista do governo, o presidente Bolsonaro entregou ao Congresso Nacional, esta semana, medida provisória e projeto de lei que abrem caminho para a venda da Eletrobras e dos Correios, respectivamente. "Nossa agenda de privatização continua a todo vapor”, disse Bolsonaro, na ocasião da entrega da MP, terça-feira (23).

Na noite desta quarta-feira (24), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou a campanha “Não deixem vender o Brasil” em alerta aos danos que as privatizações vão causar à população. Duas delas, já sinalizadas pelo governo, são a venda da Caixa Seguridade, da área de Cartões e do futuro Banco Digital, estruturado para o pagamento, pelo banco público, do auxílio emergencial e de outros benefícios sociais a mais de 160 milhões de pessoas.

"Essa é uma campanha em defesa do povo brasileiro”, ressaltou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. “Quando falamos que defender a Caixa é defender o Brasil, também queremos dizer que defender a Petrobras, a Eletrobras e os Correios também é defender o Brasil. São empresas lucrativas. No caso dos bancos públicos, eles são responsáveis por 80% do crédito de quase todas as regiões do país", acrescentou.

Ao lembrar que a Caixa completou 160 anos no último mês de janeiro, Sergio Takemoto — que participou da live de lançamento da campanha da CUT — destacou que o banco sempre foi o local em que a população carente depositou suas esperanças. “Na pandemia, mais uma vez a Caixa Econômica se mostrou fundamental, principalmente em relação ao pagamento do auxílio. Metade da população brasileira passou pela Caixa, nesse período", pontuou. "O governo já manifestou interesse de vender o setor de Cartões de Crédito e outras áreas do banco. Tudo isso para enfraquecer a Caixa", completou o presidente da Fenae.

A CAIXA — A Caixa Econômica Federal é a principal operadora e financiadora de políticas públicas sociais, além de geradora de emprego, renda e desenvolvimento para o país. Desde o início da pandemia do coronavírus, o banco é responsável pelo pagamento do auxílio e do FGTS emergenciais, além de outros benefícios a mais de 120 milhões de pessoas: metade da população brasileira.

Cerca de 70% do crédito habitacional é feito pela Caixa e 90% dos financiamentos para pessoas de baixa renda estão no banco público. Além de moradias populares — como as do programa Minha Casa Minha Vida — a estatal também investe na agricultura familiar, no Financiamento Estudantil (Fies), nas micro e pequenas empresas, em saneamento básico, mobilidade e infraestrutura.

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