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Série na TVE viaja para o litoral e para o agreste da Bahia

Em 2016, o jornalista e escritor Antonio Pastori estava começando a gravar um documentário sobre o litoral norte da Bahia e o agreste do estado. A intenção era registrar a história das cidades daquelas áreas, além de documentar em vídeo as manifestações populares, uma grande riqueza das regiões.

Mas Pastori foi surpreendido por uma informação que provocou mudanças imediatas no trabalho: soube que nas imediações do Conde, na Ilha das Ostras, duas arqueólogas haviam realizado escavações que comprovavam a existência de seres humanos ali há mais de cinco mil anos. E essa história, entre outras, está na série Vagões Agrestes Trilhos Litorais, que estreia neste sábado (27) na TVE, às 14h30 e tem cinco capítulos.

Antonio Pastori é diretor, editor, roteirista e um dos narradores

“É muito bom quando iniciamos um trabalho com pautas prévias, tudo 'organizadinho', quase cartesiano no plano de filmagens, nos depoimentos pré-produzidos e aí tudo muda, com um baita achado e um desafio. E assim enveredamos em uma história até então desconhecida”, afirma Pastori, que é roteirista, diretor e editor da série. 

A descoberta arqueológica das pesquisadoras Suely Amancio-Martinelli e Cristiana de Cerqueira Santana está no segundo episódio. Mas o projeto inicial de registrar as manifestações populares também está em Vagões Agrestes Trilhos Litorais. Um desses registros é a emocionante Reza de São Roque em Sítio Novo, distrito de Subaúma, que, segundo a produção, jamais havia sido documentada e está no episódio de estreia.

A equipe do documentário em Palmeiras, distrito de Esplanada

Há também registros da cultura dos índios, que sempre tiveram presença marcante no litoral baiano. Na ecovila de Massarandupió, foi gravado um toré, ritual indígena que une e dança, religião, luta. “Nós queríamos mostrar as manifestações populares. Não queríamos mostrar o litoral do turismo predatório. Massarandupió, por exemplo, muita gente associa a nudismo. Mas não é isso!”, diz Pastori, em tom de indignação.

O diretor aponta que outra grande surpresa foi o encontro com o músico Heberth do Acordeon, de Esplanada. O instrumentista estava gravando sua participação no alto de uma pedreira. Na hora de se despedir, Heberth pega todos de surpresa e, sem ter avisado a ninguém, lança os primeiros acordes do clássico e conhecidíssimo Tema da Pantera Cor de Rosa, da série de filmes que teve início em 1963. O momento, claro, está no documentário.

Conselheiro
As marcas de uma das expedições lideradas por Antônio Conselheiro também estão na série, especialmente no quarto capítulo. O mesmo episódio mostra a chegada das estradas de ferro e o impacto social que o novo meio de transporte provocou.

“A série ilumina aspectos pouco ou nunca exibidos em audiovisual. Dos sítios arqueológicos às manifestações populares autóctones. É um produto cultural que valoriza a identidade do território em seus variados aspectos. Dá visibilidade a um cantinho da Bahia pouco falado, apesar de tão perto da capital”, diz  Anselmo Machado, doutor em história social.

A trajetória dos freis capuchinhos italianos na região também está documentada no último episódio, que mostra a influência política desses religiosos e o papel essencial que tiveram no povoamento do território, seja na realização de missões ou contendo revoltas populares.

O litoral norte e o agreste são formados por 20 municípios e Pastori visitou 12 deles para realizar Vagões Agrestes Trilhos Litorais. O diretor estima ter ido a mais de 30 localidades, onde realizou aproximadamente 100 entrevistas. 

Estreia sábado (27) na TVE, às 14h30. Capítulos inéditos aos sábados, com reprise às segundas, 7h30, e quintas, 20h30

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