Portugal

Assunção Cristas admite falhanço na hora da despedida

"Falhei o resultado. Falhei porventura a análise das possibilidades que se abriam com as novas circunstâncias políticas e os resultados ficaram muito aquém das minhas e das vossas expectativas". Foi assim que Assunção Cristas assumiu ontem, logo na abertura do 28º Congresso do CDS, que errou na estratégia para as Legislativas. A centrista não quis, contudo, "dissecar os erros" da liderança: "O tempo encarregar-se-á dessa análise".

Num discurso de 13 minutos, com duas citações do Papa Francisco, Cristas disse sair "triste pelo resultado, mas tranquila" por saber que deu "tudo o que podia". E deixa o cargo com a consciência de que "em política nunca se pode esperar reconhecimento".

À hora de fecho da edição, decorriam as votações das moções globais. Houve 98 inscritos para falar ao congresso. Os resultados só seriam conhecidos já de madrugada e hoje serão divulgadas e votadas as listas para os órgãos do partido.

Na apresentação das 12 moções, o congresso aplaudiu de pé dois dos cinco candidatos iniciais: João Almeida e Francisco Rodrigues dos Santos, que deverão protagonizar uma disputa acesa pela liderança, após as desistências de Abel Matos Santos e Carlos Meira.

‘Chicão’, como é conhecido, foi fortemente aplaudido nas diferentes intervenções. Já João Almeida contou publicamente com o apoio de vários "notáveis", como Adolfo Mesquita Nunes, Telmo Correia ou Nuno Melo. Os últimos dois, que assinavam uma moção, desfizeram assim as dúvidas sobre uma possível candidatura. Nuno Melo garantiu também que não vai integrar nenhum órgão do partido nos próximos dois anos.

Todavia, seria o antigo ministro da Economia António Pires de Lima a inflamar os ânimos do congresso, com um ataque a Francisco Rodrigues dos Santos. "Se queres dar-te ao respeito, começa tu por mostrar respeito pelos teus adversários", disse. Perante os apupos, Pires de Lima havia de rematar com um "adeus, até sempre CDS".

POSIÇÕES
João Almeida: Sinais de mudança
João Almeida revelou que apresentaria listas com "pelo menos dois terços de novas caras" em todos os órgãos do partido. "A nossa direita merece uma liderança. Não é a minha, é a do CDS", apelou depois à noite.

Francisco R. dos santos: Fim das conveniências


Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que quer ser oposição a Costa e que o partido não é uma "loja de conveniências". "Peço aos avós e aos pais que acreditem em mim como acreditam nos seus netos e filhos", apelou.

Filipe Lobo d’Ávila: Apelos à união


Lembrando o papel dialogante com os outros dois adversários, Lobo d’Ávila levou mesmo a moção que apresentou a votos. "Pelos vistos sou o único capaz de contribuir para a união deste partido", defendeu o centrista.

Abel Matos Santos: Desiste para ‘Chicão’


Saiu da corrida à liderança do CDS para apoiar Francisco Rodrigues dos Santos. "Só há neste momento uma pessoa que reúne as condições", afirmou. E reconhece um momento de "esperança e renovação" no CDS-PP.

Carlos Meira: Incentivo a acordo


Acabou por retirar a moção, não indo a votos. Carlos Meira quer um acordo entre Filipe Lobo d’Ávila e Francisco Rodrigues dos Santos para combater o que chama de "nova ditadura do gosto", imposta pela esquerda.