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Bactérias causadoras de cáries formam exército que as defende

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e do Brasil decidiu analisar as imagens a três dimensões de bactérias que causam cáries nos dentes de crianças. Viu-se então que essas bactérias reúnem um outro grupo de bactérias que forma um escudo protector à sua volta e as protege. Este pequeno exército defende as bactérias das substâncias antimicrobianas e é prejudicial para os dentes. O cenário é descrito esta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Começámos com amostras clínicas e extraímos dentes de crianças com cáries graves”, indica em comunicado Hyun Koo, da Escola de Medicina Dentária da Universidade da Pensilvânia e coordenador do trabalho. O cientista também refere que queriam responder à seguinte questão: como é que bactérias que causam cáries estão organizadas?

Para isso, combinaram técnicas de imagens de elevada resolução com a análise computacional de biofilmes (placa dentária) formado nos dentes de crianças entre os 36 e os 72 meses que tinham cáries. Estas técnicas permitiram a criação de imagens a três dimensões, a análise do biofilme camada por camada e a visualização mais pormenorizada da bactéria conhecida por causar cáries (a Streptococcus mutans) e outros microrganismos. No final, a equipa recriou ainda a placa dentária e testou as bactérias ao aplicar-lhe um tratamento antimicrobiano.

A principal conclusão deste trabalho é que as bactérias Streptococcus mutans não conseguem causar as cáries sozinhas. “Elas organizam outras bactérias [como a Streptococcus oralis] à sua volta numa camada protectora que funciona como um escudo protector contra os antimicrobianos, promove a sua sobrevivência num ambiente ácido e é essencial à doença nos tecidos dos dentes do hospedeiro”, explica ao PÚBLICO Marvin Whiteley, professor de ciências biológicas no Instituto de Tecnologia da Georgia, nos Estados Unidos, e um dos autores do trabalho.

Para o investigador, essas outras bactérias servem essencialmente como um “escudo comunitário” que promove a doença nos tecidos dos dentes. “Estes resultados salientam a importância de se estudar a estrutura espacial de comunidades microbianas que podem mediar a função do microbioma e o resultado das interacções entre o hospedeiro e os agentes patogénicos”, considera.

Quanto aos contributos deste estudo, Marvin Whiteley diz que apoia as provas clínicas que referem que as cáries não podem ser tratadas com os antimicrobianos disponíveis actualmente. “[Este trabalho] indica que é necessária uma abordagem com maior precisão que atinja esta comunidade que protege os agentes patogénicos que aí residem.” No comunicado, a equipa refere que este conhecimento também pode ser usado noutros campos médicos que lidem com infecções polimicrobianas (quando há várias espécies microbianas envolvidas).

Os investigadores frisam ainda que o campo da biogeografia microbiana é relativamente novo, mas que a ligação da estrutura da comunidade microbiana ao início de uma doença abre uma vasta variedade de possibilidades para futuras descobertas clinicamente relevantes. “Não são apenas os agentes patogénicos por si só que nos dizem algo mais sobre a doença que causam, mas também a forma como estão estruturados”, acrescenta Marvin Whiteley. “As bactérias são criaturas altamente sociais e têm amigos e inimigos que ditam os seus comportamentos.”  

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