A região Sul do país registou mais 35 novos casos nas últimas 24 horas, a maior subida desde que a Covid-19 entrou em Portugal, revela o novo boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS). O Algarve regista assim um total de 448 casos de infeção pelo novo coronavírus.

No entanto, há uma incongruência no boletim publicado esta quinta-feira: apesar do aumento de novas infeções na região Sul, a tabela de novos casos por concelho mantém-se com os mesmos números que na quarta-feira. Aliás, no concelho de Tavira (o único concelho algarvio atualizado nas últimas 24 horas) até foram retirados cinco casos.

Nem mesmo os números de Lagos, onde foi detetado um surto de Covid-19 provocado por uma festa que juntou dezenas de pessoas, foram atualizados em relação a quarta-feira. O número de infetados neste concelhos subiu de seis para 11 de terça para quarta-feira, mas manteve-se nesse valor esta quinta-feira.

Estes dados chegam no mesmo dia em que Alexandre Valentim Lourenço, presidente da Ordem dos Médicos do Sul, revelou ao Diário de Notícias que “se nós de repente tivermos um surto de cem casos em Faro ou em Portimão vamos ter de fechar o Algarve”.

O médico diz que o aumento das vagas para médicos durante o verão no sul do país peca por tardio, sobretudo numa altura em que se está “a pedir a médicos que saiam dos seus locais de trabalho três meses de forma instável, quando são precisos nos seus hospitais”.

Para Alexandre Valentim Lourenço, “é preciso saber se vão ser tomadas medidas excecionais para interromper o turismo no Algarve no meio do verão”: “Como se viu agora em Pequim, com um surto de cem casos, eles fecharam novamente a capital da China”, compara o médico. O mesmo pode ter de acontecer na capital das férias estivais em Portugal.

Quanto ao caso de Lagos, Alexandre Valentim Lourenço diz-se preocupado com “o facto de as estruturas de saúde pública serem ou não capazes de lidar com os desafios para conter a infeção”.

O que nós estamos a ver, por exemplo, em Lisboa são múltiplos pequenos surtos, que nos preocupam pela incapacidade de a estrutura fazer aquilo que deve no que respeita a saúde pública (acompanhar todos os contactos e ter uma política eficaz de quarentena). Mas, se isto é difícil em alguns bairros de Lisboa e em população jovem, transpor para o Algarve pode ser mais preocupante”, compara o médico.

Uma pessoa morreu e 417 testaram positivo para a Covid-19 desde quarta-feira em Portugal. Há um total de 38.089 casos positivos de infeção pelo novo coronavírus e 1.524 vítimas mortais. É o maior número de novos infetados desde 9 de junho e representa um aumento de 1,1% em relação aos valores revelados na quarta-feira.

A única morte por Covid-19 assinalada esta quinta-feira foi registada em Lisboa e Vale do Tejo. É um homem com mais de 80 anos, revela o boletim da Direção-Geral da Saúde. Mas a faixa etária dos 20 aos 29 anos continua a ser a mais infetada desde que o desconfinamento começou no país e representa um quarto do total de novos infetados.

A DGS contabiliza ainda 416 internados, o número mais baixo da última semana. São menos 19 doentes do que na quarta-feira, a maior descida em números absolutos desde 8 de junho. Há menos duas pessoas nos cuidados intensivos, sendo agora 67 os doentes em UCI — o número mais baixo desde 9 de junho.

Contabilizam-se mais 430 recuperados nas últimas 24 horas e são agora 24.010 no total. O número de novos recuperados ultrapassa assim o número de novas infeções em 24 horas pelo terceiro dia consecutivo e é o maior desde o primeiro dia do mês.

Além disso, com 38.089 casos positivos de infeção pelo novo coronavírus e 1.524 vítimas mortais, a taxa de letalidade em Portugal está agora nos 4%. É a taxa mais baixa desde 29 de abril, quando esteve nos 3,97%. Quanto aos infetados, o vírus infetou mais mulheres do que homens no último dia: 215 casos por cada 202 homens.

Lisboa e Vale do Tejo tem 325 dos 417 novos casos registados nas últimas 24 horas — 77,9% do total. O Norte tem mais 29 casos, o Centro mais 21 e o Alentejo mais sete — não tinha tantos novos casos num só dia desde 8 de maio. Os Açores e a Madeira não tiveram novos casos, este último arquipélago desde 7 de maio.

Os idosos com 70 anos ou mais representam 13,7% dos 417 infetados. Os cinco concelhos com maior número de casos de Covid-19 são Lisboa (2.979), Sintra (2.105), Loures (1.548), Porto (1.414) e Amadora (1.336). Lisboa tem assim mais do dobro de casos no concelho do Porto.