Portugal

Conheça os perfumes que contam os escândalos da realeza britânica

d.r.

Na crónica ‘Sem Preço’ desta semana, a jornalista Catarina Nunes revela o que une a Princesa Diana e a Casa Real britânica à Penhaligon’s

O mês de estreia da temporada da ‘The Crown’ com a Princesa Diana assinala o primeiro ano de presença em Portugal da Penhaligon’s, no mesmo ano em que esta marca britânica de perfumaria de luxo celebra 150 anos. Mas esta coincidência de acasos, em novembro e quando 2020 está prestes a dar-se como concluído, tem mais que se lhe diga.

Falar em perfumes, quando inalar é mais uma fonte de receio de contaminação viral do que de deleite olfativo, parece algo secundário. E quem é que quer saber de usar perfume quando temos de andar de máscara e passamos os dias em casa? Mais: não serão poucos os infetados com coronavírus que perdem o olfato, os que não o recuperam posteriormente ou que ficam com o olfato alterado. Não é por acaso que os perfumes são um dos segmentos com as vendas mais prejudicadas com a pandemia…. A Penhaligon’s, porém, vende mais do que aromas.

A colónia Douro Eau de Portugal (€123,90/100ml) é criada em 1911 para o Sir Percy Croft, membro da dinastia Croft, que tem um longo legado no vinho do Porto

A colónia Douro Eau de Portugal (€123,90/100ml) é criada em 1911 para o Sir Percy Croft, membro da dinastia Croft, que tem um longo legado no vinho do Porto

d.r.

A marca de perfumaria de luxo criada em 1870 (e que soma vários Royal Warrant Certificate, atribuídos pela Casa Real britânica a este seu fornecedor oficial) é uma contadora de histórias através de aromas. Umas mais reais (no duplo sentido da palavra), outras puramente ficção olfativa. Um dos perfumes Penhaligon´s mais antigos (criado em 1911) traduz uma realidade que nos é muito próxima. Na primeira década do século passado, o Douro Eau de Portugal é feito à medida de Sir Percy Croft, membro da dinastia Croft que tem um longo legado na produção e comercialização de vinho do Porto, no Vale do Douro. Limões verdes, bergamota, almíscar, musgo de carvalho e sândalo são algumas das notas, que lhe conferem a esta colónia um caráter fresco e fortemente masculino.

A loja inicial em Londres é aberta com Mr.Jeavons, um antigo capataz de William Penhaligon, na Jermyn Street, rua dedicada a artigos e serviços para cavalheiros

A loja inicial em Londres é aberta com Mr.Jeavons, um antigo capataz de William Penhaligon, na Jermyn Street, rua dedicada a artigos e serviços para cavalheiros

d.r.

O percurso da Penhaligon’s, no entanto, começa muito antes disto e em outras paragens. William Penhaligon é um jovem da Cornualha aprendiz de barbeiro, quando decide mudar-se para Londres, em 1870. Vai trabalhar para um hammam na Jermyn Street (rua dedicada a artigos e serviços para cavalheiros), onde começa a desenvolver os seus primeiros produtos e a vendê-los aos clientes dos banhos turcos, muitos deles políticos e personalidades influentes, como Winston Churchill, Oscar Wilde e o Xá da Pérsia. O negócio corre tão bem que William Penhaligon decide estabelecer-se em nome próprio, na mesma rua e com o seu antigo capataz, inaugurando a loja Penhaligon&Jeavons, que mais tarde passa a Penhaligon’s.

O Hamman Bouquet (€123,90, não disponível em Portugal e esgotado em penhaligons.com) é inspirado nos banhos turcos e é o primeiro da marca

O Hamman Bouquet (€123,90, não disponível em Portugal e esgotado em penhaligons.com) é inspirado nos banhos turcos e é o primeiro da marca

d.r.

É nesta época que é criado o primeiro perfume que dá origem à marca, o Hammam Bouquet, lançado oficialmente em 1872 e que se mantém no portfólio da Penhaligon’s até hoje. Sem surpresas, esta fragrância evoca o contexto dos banhos turcos, com uma mistura de aromas orientais. É já no início do século 20, em 1902 que aparece aquele que é o mais vendido em Portugal, o Blenheim Bouquet, concebido a pedido do Duque de Malborough e com a denominação do palácio de família, uma das linhagens inglesas mais tradicionais. Inspirado no palácio e na natureza envolvente, como os pinheiros e lavanda, é composto por uma mistura cítrica com especiarias e madeira. Neste momento deve estar a pensar quando é que passo esta narrativa para os dramas da nobreza, como faz referência o título desta crónica. Já lá vamos.

O Blenheim Bouquet (€123,90/100ml) é o mais vendido em Portugal e é feito à medida para o Duque de Malborough, em 1902

O Blenheim Bouquet (€123,90/100ml) é o mais vendido em Portugal e é feito à medida para o Duque de Malborough, em 1902

d.r.

Primeiro, um facto Real e real (pelo menos profusamente relatado na imprensa britânica e internacional), mas que a Penhaligon’s não confirma nem desmente oficialmente. O perfume criado em 1978, o Bluebell, era o favorito da Princesa Diana, além de, décadas mais tarde, ter sido usado pela modelo britânica Kate Moss, no dia do seu casamento. Com um estilo clássico, fresco e terroso, a fragrância é inspirada nos campos ingleses com campânulas floridas e evoca o odor a terra húmida e a flores. Leva uma mistura de citrinos, jacinto, jasmim, cravo e canela, entre outros, e é também parte de uma era em que a Penhaligon’s segue um novo destino.

O Bluebell (€128,40/100ml) era o perfume favorito da Princesa Diana e é criado em 1978, na época em que o realizador italiano Franco Zeffirelli investe na Penhaligon’s

O Bluebell (€128,40/100ml) era o perfume favorito da Princesa Diana e é criado em 1978, na época em que o realizador italiano Franco Zeffirelli investe na Penhaligon’s

d.r.

Em 1975, depois de uma fase de declínio nas décadas anteriores, a marca passa para as mãos de Sheila Pickles, assistente pessoal de Franco Zeffirelli (ambos fãs destes perfumes), que convence o realizador de cinema italiano a investir na Penhaligon’s, para a fazer renascer. É Sheila Pickles quem monta um novo laboratório perfumista, abre a loja em Covent Garden (que ainda existe) e lança o Bluebell, entre outros perfumes que integram a atual coleção British Tales, inspirada nas referências britânicas. Nesta linha, não podia faltar o ‘cheiro’ aos tradicionais fatos à medida, com o Sartorial, que remete para o vapor do ferro quando se engoma e à madeira dos ateliers de alfaiataria, com musgo de carvalho, fava tonca, lavanda e especiarias.

O Sartorial (€123,90/100ml) é uma das fragrâncias mais icónicas da marca e remete para um dos maiores símbolos da tradição britânica: a alfaiataria à medida

O Sartorial (€123,90/100ml) é uma das fragrâncias mais icónicas da marca e remete para um dos maiores símbolos da tradição britânica: a alfaiataria à medida

d.r.

É já em 2016, na sequência da compra pelo grupo espanhol Puig (em 2015), que a Penhaligon’s acolhe a coleção de perfumes que recupera o histórico ligado à aristocracia e realeza. Além de fornecedor oficial da Casa Real ao longo de vários reinados, William Penhaligon’s é barbeiro e perfumista da Corte da Rainha Vitória, no século 19. Este imaginário é ficcionado com a linha Portraits, composta por 16 perfumes que retratam os vários elementos de uma família nobre (incluindo amigos e amantes) e as suas histórias pessoais, mais ou menos dramáticas, mas com o estilo de narrativa bem-humorada, característica dos britânicos. Esta ‘ficção olfativa’ tem Lord George como ‘cabecilha’ da árvore genealógica, homem rico e pai de família respeitado. Aparentemente encarna os valores mais elevados da aristocracia, mas encerra segredos trágicos, como o da esposa, Lady Blanche, que o quer envenenar por vingança.

O The Tragedy of Lord George (€234,80/100ml) é o mais vendido a nível global e integra a coleção Portraits, lançada em 2016, que ficciona o imaginário de uma família aristocrata

O The Tragedy of Lord George (€234,80/100ml) é o mais vendido a nível global e integra a coleção Portraits, lançada em 2016, que ficciona o imaginário de uma família aristocrata

d.r.

O perfume (com o sugestivo título The Tragedy of Lord George) é uma combinação de âmbar, sabão de barbear e fava tonca, com um toque de rum. Lançado em 2016, este é também o mais vendido a nível mundial e partilha com a restante ‘família’ as ilustrações criadas pela artista plástica islandesa, Kristjana S Williams, todas elas diferentes para cada uma das embalagens da Portraits. Dois anos antes de introduzir esta coleção, o Grupo Puig lança a Trade Routes, em 2014, e mais recentemente, em novembro de 2019, abre o único ponto de venda em Portugal, no El Corte Inglés de Lisboa. Aqui, através da tecnologia AILICE, é possível aceder às histórias dos perfumes, bem como indicar os aromas que mais se gosta para saber quais são as fragrâncias Penhaligon’s que correspondem a essa seleção, entre outras funcionalidades.

Os sete perfumes Trade Routes também estão incluídos nesta aplicação digital e evocam igualmente memórias do passado coletivo britânico. Recuperam o legado comercial dos ingleses e têm como referência as localizações distantes e os ingredientes exóticos que chegam às docas de Londres, no final do século 19: o mais antigo veleiro transportador de chá, o primeiro porto de mar em Marrocos e as sedas e produtos exóticos comercializados na época. Em tempos de pandemia global, ‘viajar’ em casa através do olfato pode ser o mais distante que conseguimos ir.

Penhaligon’s

El Corte Inglés, Lisboa (em exclusivo)

www.penhaligons.com

Football news:

Jurgen Klopp: Manchester United are now flying forward and we have difficulties. But we are not so far from the top of the form
Klopp on hugs: If it was a threat to the players' health, we wouldn't do it. The pitch is a safe place
Mourinho to Bale in training: Do you want to stay here or go back to Real Madrid and not play football?
Paul Pogba: The match against Liverpool will be a battle. Manchester United need to keep calm
Roten on Mbappe: He's getting worse with his teammates. When Kylian is successful, he is like Ronaldo
Lampard 1-0 with Fulham: Chelsea pressed, and there was a feeling that we would score. It was important to be patient
Alex Ferguson: Manchester United - Liverpool-the main game of the season, I always thought so. These are two of the most successful clubs in Britain