Portugal

Controlo da infeção pelo Covid-19 nos aeroportos não é eficaz

Horacio Villalobos/Getty Images

Verificação de sintomas nos desembarques de passageiros não evita a entrada do vírus. Contágio pode acontecer mesmo quando não há sinais da infeção

Não é uma estratégia eficaz monitorizar temperatura, tosse ou outros sintomas associados ao Covid-19 em passageiros que chegam aos aeroportos, no caso nacionais. Segundo os especialistas, a medida não é custo-efetiva não só pelo número de recursos que seria necessário mobilizar como também pelo facto de o vírus poder propagar-se quando os infetados ainda não têm sintomas.

Segundo os responsáveis da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, o foco deve ser posto na informação aos viajantes sobre o que cada um deve fazer conforme as circunstâncias: pedir esclarecimentos, comunicar sintomas, recorrer a ajuda médica, proteger-se, entre outras situações. Manter a etiqueta respiratória, evitando o contacto próximo, higienizar as mãos com frequência e cumprir algum resguardo social e a autovigilância nos 14 dias seguintes à chegada de um dos países com o surto instalado, com a Itália entre os mais recentes, são medidas de prevenção que os peritos defendem como essenciais.

Garantido este cordão protetor inicial, devem as autoridades nacionais de Saúde fazer o resto. Isto é, manter os planos coordenados com os congéneres europeus – desde logo, para nos critérios de definição de caso suspeito - , preparar os hospitais de primeira e segunda linhas; os laboratórios de referência para a realização dos testes; manter os profissionais informados e treinados; assegurar que todas as unidades, incluindo os centros de saúde, têm salas para o isolamento inicial dos casos suspeitos e máscaras para distribuição; equipas suficientes nas linhas de apoio para médicos e para a população em geral; transporte pré-hospitalar suficiente e devidamente equipado com recursos materiais e humanos ou assegurar um fluxo de informação transparente e atualizado para toda a comunidade.

Depois de tudo, ficar atento e à espera do vírus. Todos os especialistas reconhecem que é apenas uma questão de tempo até Portugal registar o primeiro caso de Covid-19. Temos, entretanto, uma variável a favor: o tempo quente que se tem feito sentir e que serve de escudo protetor contra o novo coronavírus.