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Covid-19: Cientistas e políticos pedem cautela com a pressa para “saída do confinamento”

O que poderá definir quando e como se voltará à vida normal, ou sequer quando serão suavizadas algumas das medidas de emergência impostas para travar o contágio do novo coronavírus? Há quem aponte para o intervalo de tempo que demoram os casos de infecção a duplicar (mais de dez dias?), para o número de mortos, para cálculos e progressões que permitam alguma indicação. Mas, para muitos cientistas, é preciso cuidado com estas leituras. Não é possível dizer já o que tem de acontecer para relaxar as medidas de confinamento, nem quais poderiam terminar primeiro. Não há simplesmente informação suficiente sobre o vírus para o dizer.

A estratégia de saída “é a questão mais importante do mundo”, disse o professor do Imperial College de Londres Neil Ferguson ao Marr Show na BBC. “Nenhum país tem uma resposta absoluta. A investigação é muito intensa”, apontou, “mas não há uma estratégia formulada - isto acontecerá nas próxima semana, ou nas próximas duas semanas”​.

“É impossível ter uma data [para a saída do confinamento]”, disse Simon Clarke, professor de microbiologia celular na Universidade de Reading, ao jornal britânico The Independent. “Quem disser uma data é porque esta a olhar para uma bola de cristal. A verdade é que [o vírus] vai estar connosco para sempre, porque já se espalhou”.

Uma coisa é certa: “o vírus não vai desaparecer”, disse também a chanceler alemã, Angela Merkel, na segunda-feira, quando desapontou muitos que esperavam que anunciasse uma data a partir da qual as medidas de distância física e isolamento poderiam ser revistas. “Seria uma má chanceler, e este seria um mau Governo, se o fizesse”, declarou. 

Com um vírus que não vai desaparecer, sem tratamento eficaz, e a vacina a ser ainda uma esperança, dificilmente à distância de menos de um ano (no cenário mais optimista, e especialistas sublinham que mesmo as potenciais vacinas que estão a começar o seu caminho podem “falhar a qualquer estádio” do processo), é normal que haja ansiedade sobre o futuro e sobre quando as medidas de confinamento inéditas poderão ser aliviadas.

O conselheiro de Merkel

Na Alemanha, o responsável do departamento de virologia do hospital Charité, em Berlim, Christian Drosten, que é um dos grandes especialistas mundiais em coronavírus e um dos conselheiros de Merkel, tem tentado responder às muitas dúvidas do público num podcast diário sobre o vírus, de meia hora, na rádio NDR. Os alemães têm o luxo, comentava o director de podcasts da NDR Norbert Grundei à rádio norte-americana NPR, de ter o mesmo conselheiro da chanceler, num podcast que é, há semanas, o mais ouvido no país. Um luxo que permite ver melhor nuances, e não certezas.

Drosten, que é sempre muito claro em relação ao que não se sabe do novo coronavírus - e que é muito - tem insistido em duas coisas: primeiro, que as medidas a tomar para aligeirar as restrições só poderão ser decididas depois de haver resultados de estudos que permitirão conhecer melhor o vírus e, segundo, que os especialistas em virologia como ele terão sempre um papel de aconselhamento dos políticos, mas as decisões terão de ser tomadas pelos próprios políticos.

Como os custos do isolamento e do distanciamento físico poderão ser grandes em termos sociais e económicos, especialistas nestas áreas terão também se ser ouvidos no debate.

Mas até agora, dirigentes como Angela Merkel têm insistido que o principal é assegurar que os serviços de saúde não fiquem sem capacidade de assistência. 

Da Baviera, o líder do governo do estado federado do Sul da Alemanha, Markus Söder, falou também sobre uma potencial estratégia de saída: poderá acontecer quando for se conseguir fazer um número “incrivelmente alto de testes”, o que pode implicar seguir pessoas com uma app digital que as avise caso tenham de se auto-isolar por terem estado perto de alguém infectado, e também quando houver “máscaras, máscaras, máscaras”. 

É um modelo semelhante ao que tem sido apontado por alguns especialistas. De Israel, Ran Balicer, que faz parte da equipa de gestão da epidemia do Ministério da Saúde, diz que antes de se considerarem reduções nas medidas de emergência, tem de haver uma redução significativa da taxa de disseminação do vírus e também um grande número de camas disponíveis nos cuidados intensivos, caso haja um aumento de casos em resultado da alteração. E será ainda preciso ter informação em tempo real sobre as taxas de infecção nas diferentes comunidades (o que implicará uma enorme capacidade de testar). 

Nessa altura, antecipa Balicer num artigo no diário Haaretz, seguir-se-ão semanas de tentativa e erro (os efeitos de cada medida levarão sempre no mínimo duas semanas até se começarem a fazer sentir, provavelmente mais). E aí poderia ter-se uma nova situação - ainda não normal, mas intermédia, baseada em três vertentes: localizar rapidamente e isolar novos casos, colocar prontamente comunidades afectadas em confinamento, e encontrar modos de que quem recuperou volte à vida normal (cientistas na Alemanha e Reino Unido puseram hipóteses de haver “certificados de imunidade”, mas não é claro também ainda quanto tempo durará a imunidade).

“A paciência salva vidas”

Da Baviera, Söder - cujo estado faz fronteira com a Áustria, que na segunda-feira avançou que vai suavizar as medidas de restrição de isolamento a partir de 14 de Abril - deixou uma mensagem clara para quem gostava de ver já o mesmo no seu estado: “a paciência salva vidas”.

Além da Áustria, outros países anunciaram algumas medidas com vista a um progressivo suavizar das restrições: a Dinamarca anunciou a reabertura progressiva de creches e escolas primárias já a 15 de Abril, a primeira de várias medidas, e a República Checa disse que vai reabrir algumas lojas além de farmácias e supermercados - incluindo de ferramentas ou jardinagem -, em medidas classificadas como “um teste” pelo próprio ministro da Saúde.

Jenna Macchiochi, professora de imunologia na Universidade de Sussex, disse ao Independent que, no Reino Unido, as próximas semanas vão também ser passadas a “esperar e ver” como outros países lidam com a pandemia e o resultado que têm as diferentes estratégias.

Michael Head, investigador em saúde global na Universidade de Southampton, sublinhou ao mesmo jornal a dificuldade de aplicação de modelos ou “qualquer projecção futura, porque este coronavírus é um vírus totalmente novo, e a escala da pandemia não tem precedentes no nosso tempo de vida”, declarou. Mais: “a dimensão da globalização e a conectividade internacional é tão grande que é muito difícil ter algum grau de certeza numa previsão de como é vai que isto vai acabar.”

“Talvez tenhamos de aceitar, por mais desconfortável que seja, que estamos a viver num mundo em que os peritos e os líderes de quem normalmente esperamos orientação não têm, simplesmente, todas as respostas das quais estamos à espera”, disse pelo seu lado Neil Ferguson, do Imperial College, ao Financial Times. “Ninguém percebeu ainda totalmente este vírus. Ninguém sabe onde é a porta de saída.”

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