“O Estado português auxiliará a TAP quando o Estado entender e não quando o Sr. Deputado quiser ou o acionista privado quiser”, afirmou o ministro das Infraestruturas esta terça-feira no Parlamento.

Num estilo mais controlado, para evitar ser confundido com arrogância, Pedro Nuno Santos afirmou que o Governo e os portugueses “estão disponíveis” e querem salvar a TAP, mas não “vamos negociar sem que sejam aceites condições firmes de repartição de encargos entre as partes e normas de controlo por parte do Estado sobre o destino” dessa ajuda. Se as condições não forem aceites, não haverá intervenção pública, disse ainda o ministro que voltou a acusar o CDS e o deputado João Gonçalves Pereira de estarem a representar o acionista privado.

O ministro das Infraestruturas referiu no Parlamento algumas dessas condições, como a disponibilidade de os acionistas converterem créditos sobre a empresa em capital. “É o mínimo”, sublinhou no Parlamento Pedro Nuno Santos onde também assinalou que os acionistas privados ainda não foram claros sobre a disponibilidade que têm para acompanhar a intervenção pública necessária.

“Algumas cláusulas do acordo parassocial têm de ser suspensas para garantir um mínimo de segurança e um controlo sobre os destinos que vão ser dados ao dinheiro que vamos injetar”.

Num estilo muito mais ponderado do que na audição anterior, Pedro Nuno Santos assumiu um “mea culpa” sobre uma intervenção assertiva, mas que alguns confundiram com “arrogância e soberba”. Há pessoas que não apreciaram a forma como disse o que disse na última audição. Tenho a obrigação de fazer o meu trabalho de forma  a não ter um registo que pode ser confundido com arrogância.”

O ministro justificou a sua prestação irritada de há duas semanas com a pressão vinda de um deputado — João Gonçalves Pereira do CDS — para que o Estado desse a resposta que o privado queria.

E aproveitou para contra-atacar um “comentador” que pediu a sua demissão. O advogado “mais rico do nosso país” “esqueceu-de de dizer que era o escritório de que representava o acionista privado e a própria TAP. Há quem não tenha vergonha. Temos de denunciar quando as pessoas usam o espaço público para defender interesses seus”. Pedro Nuno Santos não identifica pelo nome, mas que esclarece que a inicial está na sigla do escritório. É uma referência direta a José Miguel Júdice do escritório PLMJ.

Na resposta, o deputado do CDS, diz que o “ministro está em modo Xanax” e pede respostas para o pedido de apoio ao estado que foi feito já há dois meses. Pedro Nuno Santos clarifica que não mudou de opinião sobre o que disse há duas semanas, é mesmo uma questão de estilo. E sobre a “pressão” de dar as ajudas, Pedro Nuno Santos diz que será feita a intervenção no timing que o Governo pretende. Porque quem manda no dinheiro do povo português representados pelo Estado.