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Exército etíope controlará "em alguns dias" a capital da região de Tigray

Três semanas após o início dos combates, o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, ordenou na quinta-feira ao exército que lançasse uma ofensiva em Mekele, onde estão sediadas as autoridades de Tigray, ligadas à Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Mais de 48 horas após este anúncio, não há informações sobre o possível início dos combates na capital regional, que antes do conflito contava com cerca de 500.000 habitantes.

O exército federal "capturou pontos essenciais para assumir o controlo das forças da junta TPLF e dirige-se para Mekele, que já está sitiada", divulgou hoje a emissora de rádio-televisão Fana BC, ligada ao governo central.

O exército, segundo a Fana BC, controlou várias localidades dos arredores, incluindo Agula, a menos de 40 quilómetros ao norte da capital regional, e anuncia que "controlará Mekele em alguns dias", sem especificar se combates já estão a ocorrer naquela cidade.

A verificação no terreno e de fonte independente das afirmações de ambos os lados é difícil, já que a Tigray está virtualmente isolada do mundo desde o início do conflito.

Uma fonte diplomática confirmou hoje à agência de notícias AFP que o exército estava em Agula na noite de sexta-feira, acrescentando que a situação não estava clara em relação as áreas ao sul de Mekele.

Por sua vez, as autoridades de Tigrat convocaram na sexta-feira os seus cidadãos à luta, dizendo que o exército federal estava a bombardear as suas "cidades e vilas", "infligindo pesados danos".

Nenhuma avaliação precisa dos combates em Tigray está disponível até agora, mas o International Crisis Group (ICG) estimou na sexta-feira que "vários milhares de pessoas morreram nos combates".

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou em 04 de novembro uma operação militar na região de Tigray (norte do país), após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Desde então, a região tem sido palco de ofensivas militares por ambas as partes, com o disparo de foguetes e de incursões para a captura de cidades.

Mais de 40 mil pessoas abandonaram a região em direção ao Sudão e quase 100.000 refugiados eritreus em campos no norte de Tigray ficaram expostos às linhas de fogo.

Organismos independentes relataram o massacre de pelo menos 600 civis.

A comunidade internacional, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a União Europeia, tem manifestado grande preocupação com o conflito e o seu impacto humanitário, enquanto insiste nos apelos ao diálogo.

Abiy Ahmed, prémio Nobel da Paz no ano passado, tem rejeitado o que apelida de "quaisquer atos de ingerência indesejados e ilegais", afirmando que o seu país irá lidar com o conflito sozinho.

Leia Também: Etiópia reafirma dever de "manter ordem" após reunião com União Africana

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