Portugal

José Mário Branco, um gigante que se foi da lei da morte libertando

Em Mudar de Vida (2007) Jorge Miguel Gonçalves/NFactos

Numa das muitas canções que escreveu, Amor gigante, José Mário Branco descobriu certo dia um novo sentido, ao gravá-la. Escrita para a peça Gulliver, do grupo de teatro A Barraca, ele viu na paixoneta de Gulliver por uma menina do país dos gigantes, retratada em Amor gigante, a relação dele próprio com a música e também com a utopia, “essa revolução a que todos aspiramos e que não se sabe bem o que é”. Era ele o “pequenito amante” e a menina gigante era a música. Só que as muitas vozes que agora se ouvem a lembrá-lo, a sua vida, a sua obra, indicam algo diferente: o “pequenito amante” na verdade agigantou-se, namorou a música e fez-nos a todos mais felizes.