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Leitores incomuns

Há uns anos, comprei um ensaio sobre “leitores incomuns”, porque conhecia dois deles e o epíteto me parecia adequado. Um desses leitores, George Steiner, foi o crítico que mais li, embora seja um pouco grandiloquente para o meu gosto; outro, Frank Kermode, nada grandiloquente, é dos críticos que mais admiro e que me tem sido mais útil; do terceiro, Denis Donoghue, nunca tinha ouvido falar até então. Por causa de “Uncommon Readers” descobri livros de Donoghue como “Connoisseurs of Chaos” (1965) e “Ferocious Alphabets” (1981), que me impressionaram bastante, e vários textos vigorosos sobre Yeats. Mas só depois da sua morte, há umas semanas, cheguei ao mais programático “The Pure Good of Theory” (1992), que reúne duas conferências e uma entrevista.

É curiosíssimo que tantos críticos literários e até tantos académicos sejam avessos à teoria da literatura. Usando a terminologia de um seu antecessor americano, Donoghue, professor em Cambridge, no University College de Dublin e na N.Y. U., classificou a teoria como “uma técnica de problemas”, ou, como prefiro, uma “técnica de encrencas” (“technique of trouble”). Podem ser encrencas engenhosas, justificáveis, louváveis mesmo, mas consistem todas ou quase todas em levantar problemas em excesso, substituindo a literatura, a leitura e a hermenêutica pela suspeita, o ressentimento e a opacidade. Claro que não tem sentido ser-se “contra” a teoria, mas é bom usar de cautela quanto a abordagens que maximizam a teoria e minimizam a literatura. Especialmente quando isso sugere um elevado grau de oportunismo e de inconsistência: veja-se a certeza absoluta com que os desconstrucionistas afirmavam que não podemos ter certezas.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.

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England are the most boring group winners in history. Two goals were enough! And at the World Cup, the Italians once became the first even with one
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Modric became the youngest and oldest goalscorer in Croatia at the Euro
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Gareth Southgate: England wanted to win the group and continue to play at Wembley-and it succeeded
Luka Modric: When Croatia plays like this, we are dangerous for everyone