Portugal

Líderes políticos viram o país no “planalto” e as nuvens negras no horizonte

O pico da pandemia de covid-19 pode já ter sido atingido em Portugal entre os dias 23 e 27 de Março e, agora, entrámos no tal “planalto” que antecede a descida consistente do número de novos casos. Por outras palavras, a evolução da curva de infecção em Portugal parece estar a desacelerar, mas ainda é cedo para falar do levantamento de medidas de restrição, avisaram os epidemiologistas e especialistas que esta terça-feira estiveram reunidos com o Governo, o Presidente da República, os líderes políticos e os parceiros sociais.

Foi esse panorama que levou Marcelo Rebelo de Sousa a dizer, no final desta terceira sessão técnica sobre a covid-19, que “o processo em curso está a conhecer passos positivos no crescimento diário do número de casos e de redução de propagação do vírus” e portanto “há uma tendência positiva lenta, mas positiva”. Mas foi também Marcelo que colocou a meta da liberdade em Maio.

“Se queremos ganhar a liberdade em Maio, precisamos de a ganhar em Abril”, disse. E repetiu: “Para dar passos de liberdade em Maio, no sentido do regresso progressivo à normalidade, não apenas no universo escolar mas também na vida das empresas, temos de pedir um suplemento de esforço aos portugueses em Abril”. Questionado sobre a tal “luzinha ao fundo do túnel” de que falou o primeiro-ministro, o chefe de Estado retorquiu: “Se os portugueses forem capazes de manter esta dedicação cívica durante o mês de Abril, isso facilitará ver a luzinha no mês de Maio”.

Precaução foi a palavra de ordem no Infarmed, numa altura em que o país ainda regista centenas de novos casos por dia, segundo apurou o PÚBLICO falando com diferentes personalidades políticas que acompanharam as explicações dos especialistas. Há quem tenha visto nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa menos optimismo e mais mobilização de massas: “Falar em Maio desconta psicologicamente Abril”. 

Vários cenários foram colocados pelos técnicos em relação a abertura parcial de actividades, como as creches ou o 12º ano. Segundo se percebeu, o Governo terá a preferência por abrir primeiro as aulas ao 12º. ano, por causa do acesso ao ensino superior. Mas esse cenário comporta um risco maior para as famílias desses alunos, cujos pais estarão na casa dos 40 aos 50 anos, com avós com perto de 70 anos. Já a opção por começar a abrir creches permitiria que regressassem ao activo famílias mais jovens, com pais entre os 30 e os 40 anos e avós entre os 50 e os 60.

“Há razões para optimismo porque os números são bons, mas a conclusão a tirar é difícil”, ouviu o PÚBLICO de um conselheiro de Estado que assistiu à reunião. Ou seja, há razões de optimismo quanto à contenção da pandemia, mas não quanto à evolução num contexto social com menos restrições. “Tudo indica que o abrandamento das restrições fará disparar a curva, com os dados que temos hoje”, diz outro.

O que dizem os especialistas

De acordo com os dados recolhidos pelos especialistas até agora, a evolução diária do número de casos parece indicar que estamos no “planalto” da curva e o pico pode ter já ter sido entre os dias 23 e 27 de Março. No entanto, estes dados ainda estão sujeitos a reajustes (a Direcção-Geral da Saúde acerta a data de diagnóstico à data de início de sintomas) e os próximos dias ainda podem revelar um número de casos reais muito superior aos já identificados.

Só depois desses reajustes é que se pode antecipar o início da descida, com o aumento do número de casos diários a reduzir das centenas para as dezenas de novos casos. Na semana passada, estimava-se que o índice R0 (o número básico que mede o índice de propagação do vírus) rondava os 1,06, isto é: cada pessoa contagia, em média, outra. Esta semana, o valor baixou para 1,004, o que indica uma estagnação. No entanto, a regressão só se iniciará oficialmente quando o número se mantiver consistentemente abaixo de um.

Isso significa que os hospitais não deverão entrar em ruptura, e nisso os especialistas foram mais categóricos do que na semana passada, embora sempre dizendo que não há espaço para aliviar as medidas de contenção.

A expectativa dos especialistas é que o levantamento das restrições não aconteça antes de meados de Maio, quando a curva estiver já muito baixa, com casos de contágio esporádicos, que não ultrapassem as duas dezenas por dia. Só aí existirá segurança para levantar medidas. Mas nada garante que a dinâmica da curva se mantenha igual.

As incógnitas são tanto mais acentuadas quanto se estima que Portugal ainda esteja longe da imunidade de grupo, estimada em 60% da população. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, apenas entre 1 e 2% da população portuguesa estará já imune ao coronavírus, o que é uma fracção muito pequena para permitir levantar restrições. Isso poderia abrir a porta a uma segunda vaga da epidemia.

O que dizem os partidos

Talvez por isso o líder parlamentar do PCP tenha saído da reunião a concluir que ficou a ideia que “tem de haver capacidade para, em 24 horas, repor medidas de contenção [entretanto levantadas], caso se verifiquem recuos” nos indicadores usados para controlar a evolução desta pandemia. “O cenário de levantamento de medidas foi falado como sendo ‘parcial e gradual’. E com uma avaliação permanente”, sublinhou João Oliveira.

Todos os partidos se mostraram em sintonia quanto à necessidade de manter as restrições e tomar decisões com muita cautela. “Todo o cuidado é pouco”, disse David Justino, vice-presidente do PSD, considerando que “não vale a pena antever com um mês de antecedência coisas que não sabemos como vão desenvolver-se”. E defendeu “uma atitude responsável e medidas que sejam progressivas, bem ponderadas e bem estudadas nos seus impactos”.

“Não se pode baixar a guarda”, acrescentou José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS: “Não havendo novas medidas, temos de cumprir as medidas de condicionamento em vigor. Os portugueses têm de continuar a ter o comportamento extraordinário e responsável que tiveram até agora”. Mas Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS-PP, advertiu que são necessários mais testes à covid-19: “Se não for uma testagem massificada, não será possível com rigor e exactidão avaliar a descida da curva”.

Perante o cenário de prolongamento do confinamento, a coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu a necessidade de “medidas mais fortes no campo económico e social” e insistiu na proposta de uma tarifa social para água e luz, tendo em conta o prolongamento do encerramento das escolas.

Já o PCP defende que a avaliação do levantamento das medidas de contenção deve ser feita no seu conjunto, e não apenas em relação à reabertura das escolas. Os Verdes não querem “deixar ninguém para trás” e o PAN não quer que os alunos fiquem reduzidos à telescola e pede uma verdadeira transição digital.

No próximo dia 15, os especialistas voltam a explicar aos políticos as linhas de saúde com que a sociedade se cose. com Margarida Gomes e Marta Moitinho Oliveira

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