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Na Índia, crianças-mineiras trocam a infância por aparas de mica

É com a ajuda de um espigão metálico pontiagudo e de grandes dimensões que as crianças de Jharkhand, na zona Leste da Índia, extraem do interior de crateras escuras a mica que fará parte dos automóveis e produtos de beleza a que dificilmente terão acesso ao longo das suas vidas. O ciclo de pobreza a que estão presas não o permitirá. "Em Koderma e Giridhi, o trabalho infantil é um cenário quotidiano", explica ao P3 o fotógrafo Supratim Bhattacharjee, que dedicou dois anos ao registo desta série, Mica and Tears. O Hindustan Times confirma a descrição do fotógrafo e refere, com base num relatório de Maio de 2018 elaborado pela Comissão Nacional de Protecção dos Direitos da Criança (CNPDC), que um total de 4545 crianças desses distritos abandonaram a escola para trabalhar nas minas de mica.

"As crianças trabalham porque as suas famílias são extremamente pobres e precisam do pouco dinheiro que elas conseguem por dia", explica Supratim. "A pobreza é tão profunda que a ideia de colocar as crianças na escola é muito distante das famílias." De acordo com a CNPDC, uma criança recolhe, em média, cinco a seis quilos de aparas de mica por dia "e vende a traficantes ilegais por 5 a dez cêntimos por quilo". Ou seja, uma criança realiza, diariamente, entre 30 e 60 cêntimos. E, apesar desse esforço, nem por isso são escassos os casos de malnutrição infantil, que atingem entre 14 e 19% das crianças nos referidos distritos. "A morte de crianças nas minas é também, infelizmente, muito comum e deve-se, sobretudo, a abatimentos de terra." 

Bihar e Jharkhand produzem 25% da mica que é comercializada globalmente. "Para saciar a procura, grandes quantidades de mica são extraídas ilegalmente todos os anos por adultos e crianças e vendidos directamente a comerciantes que conseguem escoar produto sem documentação que comprovem a origem legal produto", explica Supratim. "E alguns produtos e marcas de luxo estão associadas à mineração de mica na Índia, pelo que é urgente que o Governo indiano tome medidas para manter as crianças e as suas famílias de fora desta indústria", refere o fotógrafo.

Se o Governo indiano criar leis que regulem esse comércio, não é claro o que irá acontecer às crianças e famílias para quem a mica representa 100% do rendimento. "Em contacto com os trabalhadores, nas minas, percebi que a mica era a principal fonte de rendimento das pessoas que morreram em acidentes de trabalho. Se lhes retirarmos isso, de que irão viver?" Supratim, que dedica há quase uma década a sua carreira fotográfica à causa do trabalho infantil – e que apela à contribuição, neste período de pandemia, para dar seguimento ao seu trabalho –, sente uma tristeza profunda perante a realidade que documentou. "Desejo que o Governo se debruce sobre este tema e que tome medidas no sentido da legalização da exploração de mica, no sentido da redução do trabalho infantil."

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