O setor nunca se cansa de repetir – para acalmar os mais nervosos – que andar de avião continua a ser mais seguro do que andar de automóvel. Mas agora a principal medida da segurança é o espaço, um luxo que falta no modo como nos habituámos a viajar. O distanciamento agora é fácil, porque quase não há pessoas a viajar, mas como será no futuro?

Depois do 11 de setembro, a aviação e os aeroportos tiveram de passar por uma revolução na forma como lidavam com os riscos de segurança. Uma maior exigência no controlo dos passageiros e das bagagens obrigou as pessoas a chegar mais cedo e a passar mais horas à espera de voo. Os aeroportos responderam com mais lounges para estar, mais lojas onde comprar, mais restaurantes onde comer, mais coisas para fazer. E muito mais pessoas para aproveitar estes espaços, porque – nos últimos 20 anos – as companhias low-cost trouxeram milhões de novos passageiros.

Apesar de quedas de 90% no tráfego — Lisboa por exemplo passou de uma média diária de 85 mil passageiros para pouco mais mil —  as companhias nunca pararam de voar e à medida que as restrições legais abrandarem estão a preparar-se para o lento regresso dos passageiros. São cada vez mais as companhias que anunciam o regresso de operações, sobretudo a partir de junho. Mas agora é o tempo de lhes reconquistar a confiança.

Para os convencer que voar continua a ser seguro há um grande foco nas medidas de higiene e saúde. A luta contra o inimigo invisível passa pela guerra “química”.

O avião é um espaço fechado onde convivem centenas de pessoas durante horas a respirar o mesmo ar. À partida parece ter as condições ideais para o contágio por um agente infetante. E até lá chegar, os passageiros têm de se sujeitar a procedimentos que implicam estar juntos, numa sala, ou em fila, seja para passar pela segurança ou pelas salas de embarque.

A ocupação. Portugal começou por aplicar a regra que limitava a ocupação a dois terços da capacidade definida para a generalidade dos transportes públicos. Mas esta restrição excluía vários serviços, como os voos de repatriamento, seja fretados pelos Estados, mas também por companhias aéreas, nacionais ou estrangeiras, na medida em que sejam aproveitados para efetuar ações de repatriamento ou que sirvam justificadamente esse propósito. Também os voos de companhias estrangeiras que chegavam a Lisboa não tinham de cumprir a limitação, criando uma desvantagem para os voos feitos debaixo da jurisdição portuguesa, razões que levaram o Governo a levantar este limite a partir de 1 de junho.

Governo recua: a partir de 1 de junho, aviões deixam de ter lotação limitada a dois terços

As máscaras. Sem existir uma imposição legal, como a usada nos transportes públicos, as companhias recomendam o seu uso a viajantes e tripulação. Chegam mesmo a indicar que tal é obrigatório a bordo dos aviões. Ainda que legalmente possam não ter os meios para o impor, a maioria das pessoas voluntariamente usa máscaras, até porque se sente mais segura.