Portugal

Opinião: A ideia é parar o país?

Nos últimos dias temos verificado uma certa descoordenação do país na forma como tem encarado a pandemia por Covid-19. Se na 1ª vaga isso era aceitável e até compreensível, pois o país não estava preparado nem antecipou medidas, tendo por base a experiência dos países que mais cedo foram afetados pela pandemia, na 2ª vaga isso é totalmente incompreensível e desanimador. Mas é ainda muito mais estranha uma certa atitude de desespero, que se tornou muito evidente desde que os números de infetados ultrapassou os 7000 mil infetados diários e o número de mortes, também diárias, passou para a ordem da centena. Ou seja, quando o país esperava alguma serenidade, preparação, antecipação de cenários e ativação de planos já preparados, verificou que o Governo e as entidades de gestão de saúde estavam a reagir no momento, elaborando respostas que, por não estarem preparadas, pareciam pouco ajustadas e lógicas.Uma das medidas que mais me revoltou foi a proibição de dar aulas no dia 30 de Novembro e 7 de Dezembro. Admiti que o Governo, intimidado com a subida dos números, precisava de limitar a movimentação de pessoas para conter a subida dos números e com isso manter em níveis aceitáveis os impactos na economia, no sistema nacional de saúde, etc. No entanto, proibir todo o tipo de aulas, mesmo as que que são dadas remotamente, é absolutamente incompreensível. As universidades desenvolveram soluções para cumprir a sua missão, prescindindo da parte presencial sempre que necessário. A Universidade de Coimbra, por exemplo, desenvolveu uma ferramenta de apoio ao ensino (UCTeacher), com capacidades únicas, que nos distingue e nos permite desenvolver a nossa missão académica, de I&D e de cooperação com a sociedade sem grandes perturbações. Para além disso, essa ferramenta abre outras possibilidades para o futuro, nomeadamente a capacidade de atingir novos mercados mais internacionais, chegar a outros públicos, etc. Perante isso, eu diria que estamos preparados para enfrentar momentos de dificuldade, o que permite encarar o futuro de forma tranquila, sem grandes alterações, mantendo uma normalidade e uma qualidade de serviço equivalente à que tínhamos antes do Covid. Estamos perante uma pandemia que, só por si, já é um enorme problema de saúde, social e económico. Não queremos criar ainda mais problemas. Proibir atividade, querer parar a economia e a iniciativa dos cidadãos, sem nenhuma justificação aparente, que tenha por base razões sanitárias que coloquem cidadãos em risco, é incompreensível.Parar no dia 30 de Novembro e no dia 7 de Dezembro só porque sim, é um enorme desânimo. Prejudica muito gente, sem nenhum ganho de nenhum tipo. Não permite que certos objetivos formativos e académicos sejam atingidos, sem existir para isso nenhuma justificação sanitária ou organizativa. Nós estamos preparados, porque usamos o verão e a fase posterior à 1ª vaga para desenvolver estratégias e ferramentas para enfrentar a 2ª vaga. É incompreensível que a falta de preparação obrigue a parar quem se preparou para manter a normalidade e o país a funcionar. O resultado será desastroso e os custos serão pagos por todos os cidadãos.Nesta altura devemos dar o exemplo. O vírus que enfrentamos é perigoso, pela capacidade de infeção e pelas consequências nos infetados. Mas há outros vírus e bactérias, e muitas outras doenças. A atitude perante esta adversidade, como perante todas as outras, tem de ser a preparação, o estudo, o conhecimento e a capacidade de viver com o que enfrentamos no momento. Fechar, proibir, parar, só vai criar mais problemas que se adicionam aos que já temos pela frente. Parar a economia será muito mais devastador do que qualquer vaga do Covid-19.Consequentemente, espero que o ministério que trata do conhecimento e da ciência em Portugal, isto é, o Ministério da Ciência Tecn. e Ensino Superior, gerido pelo Ministro M.Heitor, tenha uma atitude responsável, baseada em informação e conhecimento e não adira a medidas precipitadas, sem sentido e totalmente desnecessárias que, globalmente só têm um efeito que é parar. Os prejuízos inerentes são gigantescos, mas o maior é o da falta de exemplo. Como pode um cidadão nacional reagir de forma racional, colocando a ameaça em perspetiva e procurando formas de viver com ela, se aqueles que pretensamente vivem da ciência e do conhecimento atuam desta forma primária? Tem a palavra, para corrigir, o ministro Manuel Heitor.

Pode ler a opinião de Norberto Pires na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

Football news:

Barcelona would not consider Messi's participation in the game with Athletic if it were not for the trophy match
Jurgen Klopp: Manchester United are now flying forward and we have difficulties. But we are not so far from the top of the form
Klopp on hugs: If it was a threat to the players' health, we wouldn't do it. The pitch is a safe place
Mourinho to Bale in training: Do you want to stay here or go back to Real Madrid and not play football?
Paul Pogba: The match against Liverpool will be a battle. Manchester United need to keep calm
Roten on Mbappe: He's getting worse with his teammates. When Kylian is successful, he is like Ronaldo
Lampard 1-0 with Fulham: Chelsea pressed, and there was a feeling that we would score. It was important to be patient