Portugal

Portugal não conseguiu comprar a tiara de D. Maria II, que atingiu mais de 1,3 milhões de euros em leilão

A tiara de diamantes e safiras que pertenceu à rainha D. Maria II, leiloada esta quarta-feira à tarde em Genebra pela Christie's, foi comprada por 1,45 milhões de francos suíços, correspondentes a quase 1,32 milhões de euros, um valor que o representante do Estado português, José Alberto Ribeiro, director do Palácio Nacional da Ajuda e do futuro Museu do Tesouro Real, já não pôde acompanhar. 

A jóia, uma das mais antigas tiaras associadas a uma soberana portuguesa, foi levada à praça com uma estimativa de resultados que a leiloeira situou entre 170 e 350 mil francos suíços (153 a 317 mil euros), mas após um animado despique de 40 lances sucessivos, o chamado preço de martelo acabou por se fixar em 1,45 milhões de francos suíços, ao qual se somaria ainda o prémio da leiloeira e outras despesas, que obrigaram o comprador a desembolsar 1,77 milhões (mais de 1,6 milhões de euros). O Estado português ainda licitou acima dos 800 mil francos suíços.

José Alberto Ribeiro contou ao PÚBLICO que ainda se tentou negociar com a família proprietária das jóias por intermédio da Christie's, para tentar comprar directamente a jóia, evitando que ela fosse a leilão, mas a proposta foi recusada. O futuro director do Museu do Tesouro Real - que deverá ser inaugurado este Verão no Palácio Nacional da Ajuda - espera agora conseguir saber quem comprou a tiara para ver se ainda há possibilidade de Estado português a vir a adquirir. 

Foi a 30 de Março que o PÚBLICO deu conta de que a tiara seria posta à venda a 12 de Maio, num leilão que teria entre os seus lotes um conjunto de jóias que pertenceram à filha adoptiva de Napoleão Bonaparte, Estefânia de Beauharnais, sobrinha de Josefina, a primeira mulher do imperador dos franceses.

Foi com este diadema cravejado com 1415 diamantes e cinco safiras, descrito como uma peça com pedras de “bonita cor” e composta por elementos destacáveis (nove alfinetes que podem ser usados separadamente), que D. Maria II (1819-1853), primeira monarca constitucional portuguesa, se fez representar em várias ocasiões, usando-o, por exemplo, quando o austríaco Ferdinand Krumholz lhe pintou o retrato que hoje está exposto na sala do trono do palácio da Ajuda.

A importância histórica e artística desta tiara levou João Júlio Teixeira, especialista em jóias antigas que integra o comissariado do catálogo e da exposição do tesouro real português no novo museu, a recomendar a sua aquisição.

Depois de receber informação mais detalhada da Christie’s quanto ao historial da tiara, o director da Ajuda resolveu, então, pedir ao Estado português que tentasse comprá-la, encetando de imediato contactos com potenciais mecenas para reunir a verba necessária, já que o Ministério da Cultura não dispõe de um fundo de emergência para adquirir obras de arte que aparecem no mercado e que têm relevância para as colecções nacionais, mecanismo há muito reclamado por directores de museus, conservadores e outros especialistas. 

Com um mês para preparar a aquisição e angariar as verbas necessárias, ainda foi possível reunir perto de um milhão de euros, oriundo da Direcção-Geral do Património Cultural, mas também de mecenas, que contribuíram com 400 mil euros. Um valor ainda assim insuficiente, num leilão em que as peças constituídas por diamantes quase sempre atingiram preços muito acima das estimativas máximas da leiloeira. 

À data da morte da rainha – D. Maria II faleceu em 1853, aos 34 anos, depois de ter tido 11 filhos, dos quais apenas seis chegaram à idade adulta –, a tiara agora leiloada terá sido recebida como herança pela infanta D. Maria Ana (1843-1884), que ao casar com D. Jorge, herdeiro do trono da Saxónia, a levou para fora do país.

D. Maria Ana, que morreu muito cedo e não chegou a ser rainha, deixou-a ao seu filho mais velho, Frederico Augusto, que a deu a uma das suas filhas, Margarida Carolina (1900-1962). Esta viria em 1920 a casar-se com outro bisneto de D. Maria II, o príncipe Frederico de Hohenzollern-Sigmaringen (1891-1962), neto da infanta D. Antónia.

Embora a Christie’s não dê informações sobre os proprietários que colocaram a jóia em leilão, é legítimo presumir que estaria nas mãos de herdeiros das duas filhas de D. Maria, disse ao PÚBLICO João Júlio Teixeira, e provavelmente com familiares do marido da princesa Brígida, irmã do actual rei da Suécia. Segundo este especialista, das cinco tiaras que D. Maria II terá usado não há nenhuma nas colecções públicas portuguesas.

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