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Preocupações com o departamento de segurança da UEFA já existiam quatro meses antes do caos na final da Liga dos Campeões

Os últimos eventos organizados pela UEFA não escaparam a uma onda de críticas e de problemas de segurança. Em Sevilha, na final da Liga Europa, os adeptos do Rangers queixaram-se de não haver água disponível, sendo que calor não faltou. Tristemente mais visível foi o caos pelo qual tiveram de passar os adeptos do Liverpool e do Real Madrid na final da Liga dos Campeões, em Paris. Hoje sabe-se que estes dois momentos surgiram quatro meses após a demissão e críticas de Steve Frosdick, consultor de segurança da UEFA.

Segundo avançou o “The Guardian”, no início deste ano foram levantadas preocupações sobre o departamento de segurança da UEFA, no mesmo momento em que o perito inglês em segurança optou por deixar o seu cargo. Frosdick tem dedicado a sua carreira à segurança nos estádios de futebol britânicos e europeus desde a década de 1990. Renunciou ao papel de consultor do organismo dirigente do futebol europeu em fevereiro, 11 anos depois de ter assumido o cargo.

O consultor ficou descontente com a direção do departamento, que desde o ano passado tem sido chefiado por Zeljko Pavlica, amigo do presidente da UEFA, Aleksandr Ceferin. Na altura, Frosdick acreditava que o profissionalismo, perícia e desenvolvimento da UEFA estavam a ser enfraquecidos, o que o levou a rejeitar uma proposta de revisão do seu contrato.

Juntando a demissão do consultor com os últimos eventos, aumentam as preocupações em relação à operação de segurança da UEFA. O departamento tem como responsabilidade a condução segura dos jogos e tem um papel de liderança nos esforços para reforçar as boas práticas de segurança no futebol europeu. Pavlica foi nomeado para chefiar o departamento no ano passado, após a reforma do anterior chefe de departamento, Kenny Scott.

A amizade entre Pavlica e o presidente da UEFA parece ser bastante antiga. Ceferin é, aliás, o padrinho de casamento do chefe de segurança. A influência de Ceferin na carreira de Pavlica não é publicamente conhecida, sabe-se apenas que depois de o primeiro ser nomeado presidente da Federação de Futebol da Eslovénia, em 2011, o segundo conseguiu o seu primeiro emprego no mundo do futebol: responsável de segurança e proteção da associação. Ao “The Guardian”, a UEFA negou qualquer favoritismo na sua promoção para dirigir o departamento de segurança.

Um porta-voz da UEFA disse que Pavlica "é um nome muito respeitado no ramo da segurança e teve um excelente registo de segurança e proteção com a equipa nacional eslovena”, além de que “serviu muito bem a UEFA durante mais de oito anos". Sendo assim, foi considerado o "sucessor natural" para chefiar o departamento após a saída de Scott.

Do lado dos adeptos, as memórias do que aconteceu na final da Liga dos Campeões continuam bem presentes.

"Os adeptos do Liverpool sofreram experiências horríveis em Paris e estamos indignados por a UEFA ter imediatamente colocado falsamente as culpas em nós", disse Joe Blott, presidente do Spirit of Shankly, uma união de apoiantes do Liverpool, ao “The Guardian”. "É verdadeiramente perturbador tomar conhecimento de questões sobre favoritismo, profissionalismo e cultura no departamento de segurança da UEFA. Precisamos de uma investigação totalmente independente, incluindo sobre a própria UEFA e o funcionamento dos jogos".