O PSD indicou para o Conselho Superior do Ministério Público o marido da deputada e porta-voz do partido para a área da Justiça, Mónica Quintela — que foi também a advogada do triplo homicida Pedro Dias. De acordo com a SIC, o nome de Rui da Silva Leal, advogado que também fez parte da equipa de defesa do mediático caso, surge na lista que o PSD entregou na passada quarta-feira, no Parlamento.

Rui Rio, por sua vez, afasta qualquer cenário de promoção de relações familiares em cargos do partido. Contactado pelo Observador, o partido remeteu para um esclarecimento enviado às redações, no qual Rui Rio começa por destacar que o advogado “não está a ser nomeado pelo presidente do PSD para nenhum cargo”, mas sim a “ser indicado para uma lista que vai ser votada pelos deputados”.

O cargo que o Dr. Rui Silva Leal vai ocupar se a AR o eleger não é um cargo executivo, nem sequer tem qualquer vencimento atribuído, ao contrário do que aconteceu com os casos públicos ligados ao Governo”, lê-se ainda.

A nota elenca depois os cargos ocupados pelo advogado Rui Silva Leal, desde 2002, como forma de mostrar que “tem um perfil totalmente adequado para o desempenho do cargo para que está ser proposto”. Rui Rio explica ainda que “conhece profissionalmente” o advogado “há muitos anos, muito antes” de se ter casado com a agora deputada Mónica Quintela.

O líder dos sociais-democratas considerou que é de “manifesta má-fé” comparar este “caso único” com a “nomeação direta de familiares em catadupa por parte de um Governo”. “Não há, entre eles, qualquer semelhança que se possa atribuir”, diz ainda, admitindo que tem noção que indicar o marido da deputada Mónica Quintela “poderia depoletar uma polémica artificial em tempo de eleições internas no PSD”. Ainda assim, diz, “optou pela decisão de indicar o nome que, há muito, tinha em mente para desempenhar o cargo em questão”. “Porque fazer o contrário seria uma cobardia que não se coaduna com a sua maneira de ser”, remata.