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PSD. Rangel cresce com vitória no Conselho Nacional e pressiona Marcelo na data das eleições

A dimensão da derrota inédita de Rui Rio no Conselho Nacional (CN) desta quinta-feira — onde os líderes nunca perdem votações fundamentais — dá um impulso acrescido à candidatura de Paulo Rangel e deixa o atual líder perante o dilema de avançar num cenário de alto risco. Mas enquanto as duas alas do PSD mediam forças pela madrugada num hotel de Lisboa e Rio chamava “meio loucos” aos adversários que tentavam “assaltar o poder”, a novela da crise política desenrolava-se nos bastidores da esquerda: Rio pode ter perdido a votação para adiar as diretas por causa do Orçamento, mas o PSD não está livre de ser atropelado pela queda do Governo com um líder acabado de assentar praça. Para esvaziar a dramatização de Rio, que disse que o partido ficava numa “situação de completa fragilidade”, Paulo Rangel desvaloriza: “Olhando para os dados atuais, uma crise política é uma hipótese remota.” E diz acreditar que o calendário aprovado pelo partido não colide com eventuais legislativas antecipadas. Mas isso exige uma intervenção do Presidente da República para empurrar o calendário para a frente.

“A data que o Conselho Nacional aprovou para as eleições, o dia 4 dezembro, é totalmente compatível até com uma aceleração do calendário político”, acredita Paulo Rangel, em declarações ao Expresso. “Haverá um espaço de dois meses, ou até mais, entre a eleição do presidente do PSD e as eleições gerais”, caso haja antecipação. Mas o eurodeputado pensa que o PSD até “está em melhores condições do que o PS em 2002”, quando António Guterres se demitiu a meio de dezembro e as eleições foram em março. Eduardo Ferro Rodrigues, então novo secretário-geral, não teve muito tempo para se preparar e ainda assim perdeu por uma pequena margem. Na entourage de Rangel acredita-se que Marcelo adiaria a dissolução umas semanas para o PSD poder arrumar a casa. É o próprio Rangel a falar diretamente para Belém, quando diz que, na Europa, “as eleições são marcadas com respeito pelo calendário interno dos partidos”.