Paraguay

‘Perdi milhões e a alegria de jogar. E passei a beber…’ Adriano

O ex-jogador dá um depoimento marcante sobre a depressão e o problema sério de alcoolismo, que sabotaram sua carreira. Depois da morte do pai

São Paulo, Brasil– R7

Por que a fixação da imprensa por Adriano?

Porque quem teve o privilégio de vê-lo treinar e jogar, antes da morte de seu pai, Almir Leite Ribeiro, sabe o atacante excepcional que o futebol perdeu para o álcool.

E que tinha tudo para substituir Ronaldo.

A depressão, o desejo de autodestruição foi tão grande, que fizeram dirigentes e seu empresário por anos, Gilmar Rinaldi, temerem por sua vida.

A grande motivação de sua carreira acabou aos 22 anos, com o infarto fulminante que tirou a vida do pai, com 46 anos. Almir levava uma bala no cérebro por oito anos. Foi atingido por uma ‘bala perdida’ na Vila Cruzeiro, favela que fica no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, onde Adriano cresceu.

Seu talento era tão grande, que mesmo bebendo de maneira que os amigos classificam como ‘assustadora’, Adriano conseguiu disputar uma Copa do Mundo. Foi tetracampeão italiano, campeão da Copa das Confederações, Tricampeão da Copa da Itália, bicampeão brasileiro, entre outros títulos.

Fez fortuna.

A paixão pelo Flamengo aliviou, mas não acabou com a depressão

A paixão pelo Flamengo aliviou, mas não acabou com a depressão

Teve várias crises, abandonou e foi abandonado por vários clubes. Sempre se refugiava com amigos na favela. E passava noites e noites bebendo.

“Eu realmente não queria falar sobre isso (morte do pai), mas vou te dizer que, depois daquele dia, meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. Ele amava futebol, então eu amava futebol. Simples assim. Era meu destino. Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo.”

“Para ser honesto com você, embora eu tenha marcado muitos gols na Série A ao longo desses anos, e embora os torcedores realmente me amem, minha alegria se foi. Foi meu pai, sabe? Eu não poderia simplesmente apertar um botão e me sentir eu mesmo novamente.”

'Sempre tive muito orgulho de ser o Imperador. Mas sem Adriano, o Imperador não presta! Adriano não usa coroa. Adriano é o menino da favela que foi tocado por Deus. Você entende agora? Você vê? Adriano não sumiu nas favelas. Ele apenas voltou pra casa.' De lateral esquerdo dispensado na base do Flamengo a um dos maiores atacantes na época em que jogava. Adriano Imperador contou com detalhes a sua história de vida durante depoimento emocionante ao site The Players Tribune. Na entrevista, o jogador relembrou que começou como lateral esquerdo, quase foi dispensado e depois se tornou centroavante, conquistando a todos ao seu redor com seu forte chute de esquerda Poucos meses após ter sido promovido a atacante na base do Fla, Adriano recebeu a notícia de que havia sido convocado para a seleção brasileira de forma inusitada: 'Poucos meses depois, fui convocado para a seleção brasileira. Tudo aconteceu muito rápido. Eu ainda morava com meus pais na época. E, na verdade, eu estava tirando uma soneca quando eles anunciaram a Seleção na TV.', disse o ex-camisa 7 da seleção

O ex-jogador revela a depressão.

Só que deixa claro que nunca teve problemas com droga. Ele se embriagava até não poder mais.

“Só eu sei aquilo que sofri. A morte do meu pai deixou um enorme vazio na minha vida. Me sentia muito sozinho. Depois da sua morte tudo ficou pior, porque senti que estava totalmente isolado. Estava sozinho na Itália, triste, deprimido, e comecei a beber. Só estava feliz quando bebia e fazia isso todas as noites. Bebia tudo aquilo que colocava nas mãos: Vinho, uísque, vodka, cerveja”, disse, Adriano, de forma exclusiva, ao blog, em 2009.

Adriano revela ao ‘Players Tribune’ perdeu muito dinheiro, sabotando a carreira.

“Sim, talvez eu tenha desistido de milhões. Mas quanto vale a sua paz de espírito? Quanto você pagaria para ter de volta a sua essência? Na época, eu estava desolado com a morte do meu pai. Queria me sentir eu mesmo novamente.

“Eu não estava drogado. Isso nunca. Eu estava bebendo? Sim, claro. Merda, sim, eu estava. Saúde! Mas, se quiser testar, te juro por Deus, você não vai encontrar droga nenhuma no meu sangue.

“O dia em que eu usar droga, minha mãe e minha avó morrem. Bebida alcoólica? Ah, isso vai dar mesmo, bastante, até porque eu gosto de tomar um “danone” (cerveja).”

Felicidade, Adriano deixa claro que só voltou a experimentar em 2009, quando foi campeão pelo Flamengo. Seu clube de coração.

“Às vezes, a gente chegava para o treino não pelo futebol, mas pela resenha depois. Assim que o treino acabava – poom! –, hora de tomar um “querosene”. Hora da resenha. Direto para o Mercado Produtor. Todo o time. Até as esposas já sabiam: Estaremos em casa à meia-noite!

“Sempre fizemos tudo juntos, cara. E vencemos. Demos um Brasileirão para o Flamengo depois de 17 anos. Foi especial. Nunca fui completamente o mesmo depois que meu pai faleceu, mas naquela temporada eu realmente me senti em casa. Senti alegria novamente. Eu voltei a ser o Adriano.”

Adriano vive onde se sente bem. Na Vila Cruzeiro, favela no Complexo do Alemão

Adriano vive onde se sente bem. Na Vila Cruzeiro, favela no Complexo do Alemão

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Mas o momento passou e o mergulho nas bebidas voltou.

Adriano ganhou muito dinheiro.

Mas segue vivendo onde sempre sonhou.

Onde é tratado como Didico, de igual para igual pelos amigos.

Na Vila Cruzeiro.

Com bermuda jeans sem camisa.

Passeando na garupa de uma moto.

Bebendo cerveja em bares.

Dançando funk ‘proibidões’.

É assim que é feliz.

E onde sente, de novo, a presença do pai…

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