Sao Tome
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D E S A B A F O – Mudança de paradigma

17 10 2022

Após termos assistido, com incredulidade e estupefação, ao lançamento de vários “makukus” em diversos “funka-funkas” de São Tomé e Príncipe, agora é a vez dos cidadãos assistirem ao lançamento de vários nomes nas redes sociais para ocupar os “tachos” nas instituições públicas do país.

Este ato vergonhoso demonstra o quão alguns são-tomenses estão apenas preocupados com os seus interesses e problemas pessoais em detrimento do país e da coletividade.

Uma vez que vi o meu nome envolvido neste lamaçal através de comentários públicos em entrelinhas e outros por mensagens privadas que chegaram ao meu conhecimento, aproveito para sossegar os preocupados com os “tachos” nos órgãos públicos de comunicação social de São Tomé e Príncipe, que Nilton Medeiros reitera tudo quanto já havia dito no passado: “Não preciso de “tachos” para contribuir para o desenvolvimento do meu país”.

Este ato de desabafar só por si é um contributo para o país e em particular para a comunicação social. Ele serve para despertar consciências dos cidadãos e em particular dos decisores do nosso país. Quem me conhece sabe que as funções que ocupo no órgão de soberania em Portugal não são compatíveis com os vossos “tachos”.

No entanto, dentro das minhas possibilidades e disponibilidades, vou continuar a desabafar com opiniões, sobretudo no “galho” onde me sinto mais à vontade e confortável porque embora alguns não gostem, defendo que cada “macaco” deve ficar na sua bananeira de modo a evitar confusões e desinformações. Os são-tomenses têm que deixar do vício de dar palpites em tudo, até mesmo onde não percebem patavina.

O cancro da comunicação social são-tomense está bem identificado.

Dentre as várias doenças diagnosticadas, temos a politização, a preguiça e os gangues, como as maiores fontes de contaminação do ambiente da comunicação social, já de si bastante poluído, muito por culpa dos partidos políticos e sucessivos governos, com perseguições, que a bem da verdade nem sempre foram protagonizadas pelos governos, mas pelos próprios profissionais da comunicação social. São essas as doenças infectocontagiosas que estão a matar a TVS, a Rádio Nacional e a STP-PRESS.

Chegou a hora dos decisores públicos do nosso país pararem com “bla bla bla e tá fala e não está a fazer”, os cidadãos querem ação e não “flá vom vom” e paleios.

Não obstante os sucessivos governos dizerem que têm feito investimentos nos diversos órgãos de comunicação social, com compras de diversos equipamentos, a verdade é que os resultados e a qualidade dos serviços prestados deixam muito a desejar.

Não será que o problema está na gestão e no saber fazer?

Como é possível, por exemplo, que a TVS não tenha a sua emissão ou, no mínimo, os noticiários em direto nas redes sociais?

Temos todos consciência de que, excetuando alguns raríssimos diretores que passaram por esses órgãos, os modelos de gestão não tiveram grandes resultados em relação à melhoria de serviços prestados aos cidadãos. Dessas raríssimas exceções, tomo como referência a direção que esteve na TVS no período de 2010 a 2012. Aquele diretor foi mal compreendido e até mesmo odiado por alguns que hoje clamam pelo seu regresso, reconhecendo mesmo, que nos últimos dez anos, gostem ou não dele, foi o único que conseguiu mudar o rosto da TVS, com inovações, imprimindo dinâmicas que permitiram identificar competências, como: liderança; pensamento crítico construtivo; entusiasmo; otimismo; e trabalho em equipa. Sei que sou suspeito e alguns até podem pensar que esse meu enaltecer vem no sentido de propor os nomes dos que fizeram parte desta direção para um novo mandato.

Enganam-se, porque não é nada disso. Simplesmente, a César o que é de César.

Os sucessivos governos queixaram-se de que o país dispõe de poucos recursos financeiros para pagar os salários. Então, há que se cortar nas gorduras, reduzindo drasticamente os números dos “tachos” na comunicação social com adoção de medidas sérias.

Dentre muitas medidas que se pode tomar, destaco as seguintes:

1° Ao invés de um Diretor e um Departamento Administrativo Financeiro para cada órgão, criar apenas uma Direção Geral e um Departamento Administrativo Financeiro que gere os três órgãos.

2° Ao invés de termos em cada um dos órgãos, um Departamento de Informação e um Departamento de Programas, juntar os dois em um, passando a ser Departamento de Informação e de Programas.

3° Fundir os departamentos de Produção e Comercial em apenas um, passando a chamar, departamento de Produção, Marketing e Publicidade.

4° De acordo com as especificidades de cada órgão, ter uma ou no máximo duas divisões. No caso da TVS e da Rádio Nacional, a Divisão de Redação, inserida no Departamento de Informação e de Programas e a Divisão Técnica, inserida no departamento de Produção, Marketing e Publicidade.

Já sei de antemão que os que andam a sonhar com os “tachos” não vão gostar muito dessa ideia. Mas temos que deixar de nos preocupar apenas com o nosso umbigo e pensarmos na viabilidade do país e das instituições.

São Tomé e Príncipe foi governado num regime autoritário, ditatorial e praticante de censura, desde 1975 até 1991, mas, nos tempos de hoje, nenhum cidadão tolerará qualquer tentativa dessas práticas do passado, sob pena de ser considerado cúmplice do assassinato da democracia e da liberdade de expressão.

Por tudo isso, exorto o próximo governo para que privilegie o bom senso e a seriedade na escolha do Diretor Geral para gerir os órgãos públicos da comunicação social do país e, do mesmo modo, a demarcar-se das práticas usadas nos últimos anos, uma vez que não se traduziram em ganhos efetivos para os cidadãos.

Esta é a fase para demonstrarem que pretendem mudança de paradigma, valorizando, o rigor, a isenção e acima de tudo, a competência, em detrimento dos interesses políticos e partidários.

Outrossim, alertar a personalidade que vier a ser escolhida/indigitada para Diretor Geral, que o sucesso dos órgãos dependerá muito da escolha dos responsáveis/chefes do departamento de informação e de programas. Aconselho para essas funções, pessoas que, para além da competência, tenham audácia e coragem para fazerem reformas. É imperativo que essas pessoas sejam apartidárias, ou no mínimo, que não se tenham expostas publicamente como militantes, simpatizantes de partidos políticos.

Um bem-haja a todos

Nilton Medeiros