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Angola

Irão alerta para consequências de eventuais sanções sobre acordo nuclear

14 Janeiro de 2020 | 16h28 - Actualizado em 14 Janeiro de 2020 | 16h27

Irão alerta para consequências de eventuais sanções sobre acordo nuclear

Teerão - O governo iraniano alertou hoje as autoridades da Alemanha, Inglaterra e França para "as consequências" da decisão de iniciar um processo de resolução de disputas no âmbito do acordo nuclear internacional iraniano de 2015, caso implique novas sanções ao país.

"É claro que, se os europeus [...] quiserem abusar [desse processo], devem estar preparados para aceitar as consequências, que já lhes foram enunciadas", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, em comunicado hoje divulgado.

O ministério iraniano, segundo a Lusa, avisou que a resposta será "adequada e decisiva" e sublinhou que a República Islâmica está "totalmente preparada para enfrentar qualquer tipo de esforço construtivo para manter o importante acordo internacional".

A França, a Alemanha e o Reino Unido accionaram hoje um mecanismo de resolução de disputas para forçar o Irão a cumprir os compromissos assumidos no acordo nuclear assinado em 2015, num processo que será supervisionado pela União Europeia.

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, garantiu nesta terça-feira que o processo não prevê a reposição de sanções a Teerão, assegurando que o objectivo é "resolver questões relacionadas com a implementação do acordo, no âmbito da comissão conjunta".

O chefe da diplomacia europeia adiantou que este Mecanismo de Resolução de Disputas exige agora "intensos esforços de boa fé por parte de todos".

"À luz da perigosa escalada de violência no Médio Oriente, a preservação do Plano de Acção Conjunto Global é agora mais importante do que nunca", referiu.

No início deste mês, o Irão anunciou que iria deixar de cumprir os compromissos relativos ao tratado nuclear assinado em 2015, deixando de respeitar os limites relativamente ao enriquecimento e armazenamento de urânio.

O anúncio, divulgado pela televisão estatal do Irão, foi feito depois de um responsável iraniano ter adiantado que o país estava a ponderar tomar medidas mais duras em retaliação pela morte do general iraquiano Qassem Soleimani, num ataque dos Estados Unidos, em Bagdad.

O Plano de Acção Conjunto Global é um acordo firmado a 14 de Julho de 2015, em Viena (Áustria), pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha, visando restringir a capacidade do Irão para desenvolver armas nucleares.

Entre outras disposições, o acordo limita o número de centrifugadoras (utilizadas para enriquecer urânio) de que o Irão pode dispor a 6.104, contra 20.000 que tinha antes da aplicação do pacto.

O acordo permitiu, por isso, o levantamento de parte das sanções internacionais ao país em troca do compromisso do goverbo iraniano de que o seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Em Maio de 2018, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos retiravam-se do acordo e voltavam a aplicar sanções ao Irão.

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